terça-feira, 15 de abril de 2008

PÓS MODERNISMO - CONTEXTO HISTÓRICO


CONTEXTO HISTÓRICO DO PÓS-MODERNISMO:

A segunda metade do século XX assistiu a um processo sem precedentes de mudanças na história do pensamento e da técnica. Ao lado da aceleração avassaladora nas tecnologias de comunicação, de artes, de materiais e de genética, ocorreram mudanças paradigmáticas no modo de se pensar a sociedade e suas instituições.
De modo geral, as críticas apontam para as raízes da maioria dos conceitos sobre o Homem e seus aspectos, constituídas no século XV e consolidadas no século XVIII. A Modernidade surgida nesse período é criticada em seus pilares fundamentais, como a crença na verdade , alcançável pela razão, e na linearidade histórica rumo ao progresso . Para substituir estes dogmas, são propostos novos valores, menos fechados e categorizantes. Estes serviriam de base para o período que se tenta anunciar - no pensamento, na ciência e na tecnologia - de superação da modernidade. Seria, então, o primeiro período histórico a já nascer batizado: a pós-modernidade.
Se os fatores determinantes forem infra-estruturais, pode-se dizer que a pós-modernidade começa com a passagem das relações de produção industriais para as pós-industriais, baseadas fundamentalmente em serviços e em trocas de bens simbólicos ou abstratos, como a informação e a circulação de "dinheiro" nos caminhos virtuais da especulação financeira. Neste caso, ela seria de distribuição desigual: realidade já presente em algumas regiões e ainda muito distante para outras, pois a organização das relações de produção não se dá de forma homogênea em todas as partes do mundo.
Contudo, se for a superestrutura o que define as alterações, a pós-modernidade nasce no processo de contestação das certezas metafísicas do pensamento moderno na segunda metade do século XX, quando uma onda de revisionismo e romantismo varreu o pensamento ocidental e cosmopolita .
Gradualmente, cresceu a concepção de que nem o capitalismo seria demoníaco e nem o socialismo seria libertador, ou vice-versa. A Pós-Modernidade corresponderia a essa configuração da cultura. Não por acaso as contestações relativistas surgiram justamente na Europa Ocidental e na América do Norte, em países onde a economia se encaminhava para o estágio de produção pós-industrial. Nesses países verificou-se o conjunto de fenômenos sócio-culturais que permitiram identificar esses novos valores.

MONALISA


































terça-feira, 25 de março de 2008

Futurismo



O Futurismo era um movimento modernista baseado na celebração italiana da era da tecnologia. Foi muito influenciando pelo desenvolvimento Cubista.Filippo Tommaso Marinetti, que nasceu no Egito em 1876 e morou na França e na Itália, publicou no jornal francês Le Figaro, no ano de 1909, o Manifesto Futurista, dando inicio ao movimento. Já o segundo manifesto, resultou do encontro de Marinetti com os pintores Umberto Boccioni, Giacomo Balla e Carlo Carrà.
Umberto Boccioni nasceu em 1882 na Itália e teve seu contato com o Cubismo em sua viagem a Paris em 1911, adquirindo uma linguagem mais autônoma. Sua obra incorporava os conceitos de dinamismo e simultaneidade: formas e espaços que se movem ao mesmo tempo e em direções contrárias.
Giacomo Balla nasceu na Itália no ano de 1871 e era preocupado em representar o movimento como símbolo de dinamismo do mundo moderno. A obra “Vôo das andorinhas” de 1913 mostra várias andorinhas vistas rodopiando e mergulhando pela janela do artista. Balla comenta que recriou a velocidade e movimento colocando as andorinhas em seqüência, uma atrás da outra.
Após assinar o Manifesto Futurista, Carlo Carrà, italiano nascido em 1881, iniciou seus estudos e esboços de ritmo dos objetos e trens, suas obras mais futuristas. Depois de viajar para Paris pela segunda vez e entrar em contato com seguidores do movimento cubista, começaram a aparecer referências do Cubismo em suas obras, deixando o grupo no ano de 1915.
Os futuristas dão as boas-vindas à era moderna, aderindo com entusiasmo o uso da máquina. Para Balla “é mais belo um ferro elétrico que uma escultura”. A intenção era de que as artes demolissem o passado e todo o resto que significasse tradição, e celebrassem a velocidade, a era mecânica, a eletricidade, o dinamismo e a guerra. Surgiu como uma forma de superar as novas tendências e correntes artísticas da época.
Como escrito no Manifesto de 1910, o uso da forma e da cor não era mais suficiente para representar o dinamismo moderno. A solução encontrada para demonstrar velocidade em objetos parados era a representação de animais ou humanos com múltiplos membros dispostos radialmente e em movimento triangular.O futurismo é a concretização da pesquisa no campo bidimensional. O estilo é expressar o movimento real, registrando a velocidade descrita pelas figuras em movimento no espaço. Os artistas futuristas não estão interessados em pintar um carro, mas captar a velocidade descrita por ele no espaço.
Com a Primeira Guerra e a morte de Boccioni, em 1916, o futurismo acabou se dissolvendo. Porém, deixaram grandes contribuições para a arte do Século XX e para artistas como: Marcel Duchamp e Robert Delaunay.
Fragmento "Fundação e manifesto do futurismo", 1908, publicado em 1909.
Então, com o vulto coberto pela boa lama das fábricas - empaste de escórias metálicas, de suores inúteis, de fuliges celestes -, contundidos e enfaixados os braços, mas impávidos, ditamos nossas primeiras vontades a todos os homens vivos da terra:

1. Queremos cantar o amor do perigo, o hábito da energia e da temeridade.
2. A coragem, a audácia e a rebelião serão elementos essenciais da nossa poesia.
3. Até hoje a literatura tem exaltado a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono. Queremos exaltar o movimento agressivo, a insônia febril, a velocidade, o salto mortal, a bofetada e o murro.
4. Afirmamos que a magnificência do mundo se enriqueceu de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um carro de corrida adornado de grossos tubos semelhantes a serpentes de hálito explosivo... um automóvel rugidor, que parece correr sobre a metralha, é mais belo que a Vitória de Samotrácia.
5. Queremos celebrar o homem que segura o volante, cuja haste ideal atravessa a Terra, lançada a toda velocidade no circuito de sua própria órbita.
6. O poeta deve prodigalizar-se com ardor, fausto e munificência, a fim de aumentar o entusiástico fervor dos elementos primordiais.
7. Já não há beleza senão na luta. Nenhuma obra que não tenha um caráter agressivo pode ser uma obra-prima. A poesia deve ser concebida como um violento assalto contra as forças ignotas para obrigá-las a prostrar-se ante o homem.
8. Estamos no promontório extremo dos séculos!... Por que haveremos de olhar para trás, se queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Vivemos já o absoluto, pois criamos a eterna velocidade onipresente.
9. Queremos glorificar a guerra - única higiene do mundo -, o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos anarquistas, as belas idéias pelas quais se morre e o desprezo da mulher.
10. Queremos destruir os museus, as bibliotecas, as academias de todo tipo, e combater o moralismo, o feminismo e toda vileza oportunista e utilitária.
11. Cantaremos as grandes multidões agitadas pelo trabalho, pelo prazer ou pela sublevação; cantaremos a maré multicor e polifônica das revoluções nas capitais modernas; cantaremos o vibrante fervor noturno dos arsenais e dos estaleiros incendiados por violentas luas elétricas: as estações insaciáveis, devoradoras de serpentes fumegantes: as fábricas suspensas das nuvens pelos contorcidos fios de suas fumaças; as pontes semelhantes a ginastas gigantes que transpõem as fumaças, cintilantes ao sol com um fulgor de facas; os navios a vapor aventurosos que farejam o horizonte, as locomotivas de amplo peito que se empertigam sobre os trilhos como enormes cavalos de aço refreados por tubos e o vôo deslizante dos aeroplanos, cujas hélices se agitam ao vento como bandeiras e parecem aplaudir como uma multidão entusiasta.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Anatomia de Michelangelo

Pesquisadores dissecam lição de anatomia de Michelangelo.
CLAYTON LEVY Em meio aos afrescos que pintou no teto da Capela Sistina, no Vaticano, Michelangelo Buonarroti espalhou ossos, nervos, músculos, vísceras, artérias e órgãos humanos que permaneceram ocultos desde 1512, quando o gênio renascentista concluiu o trabalho encomendado pelo Papa Julio II. O segredo, porém, ignorado durante quase cinco séculos, acaba de ser desvendado por dois pesquisadores da Unicamp, que conseguiram identificar e decifrar um código criado pelo artista para revelar as peças anatômicas pintadas de forma velada nas imagens principais. O resultado do trabalho, surpreendente tanto pelo lado científico como no aspecto artístico, está no livro “Arte Secreta de Michelangelo: uma lição de anatomia na Capela Sistina”, que o médico Gilson Barreto e químico Marcelo Ganzarolli de Oliveira estão lançando pela editora ARX.
Código está em todas as obras
A identificação de estruturas anatômicas ocultas na obra de Michelangelo não chega a ser uma novidade, mas a descoberta dos dois brasileiros traz fatos novos que podem mexer com o mundo da ciência e das artes. Em 1990, o neurologista norte-americano Frank Lynn Meshberger publicou um artigo no “Journal of the American Medical Association” descrevendo uma analogia entre o cérebro humano e “A criação de Adão”, uma das principais cenas no teto da Sistina. Dez anos depois, foi a vez do nefrologista Garabed Eknoyan, também dos Estados Unidos, encontrar o formato de um rim no manto da figura do Criador em “A separação das águas e da terra”, publicado no jornal científico “Kidney International”. Ambos, porém, não foram além desses casos isolados e o tema perdeu força no meio acadêmico.
Agora, o trabalho dos dois brasileiros promete reacender o debate em torno do assunto, trazendo ao centro das discussões uma descoberta inédita em pelo menos dois aspectos: primeiro, a identificação de um código secreto para revelar as peças anatômicas ocultas. Até hoje, ninguém havia atentado para isso. Segundo, o fato desse código estar presente em todas as cenas pintadas no teto da capela. Na interpretação dos autores, isso afastaria por completo a hipótese de tudo não passar de mera coincidência ou ilusão de ótica. Essas duas novidades, por si só, podem dar novo rumo ao estudo da obra e do perfil psicológico de um dos maiores gênios da Renascença.
“Para nós, está claro que Michelangelo deixou pistas apontando para os órgãos humanos que ele quis destacar de forma velada nos afrescos”, afirma Barreto. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, com especialização em cirurgia, ele diz que estas pistas aparecem de forma pictórica ou iconográfica. “É uma espécie de jogo em que algo está oculto e os indícios levam os investigadores à solução do enigma”, explica. Segundo ele, Michelangelo utiliza vários recursos para deixar evidente essa intenção. No livro, os autores defendem a tese de que o conjunto de pistas está presente não apenas dentro da cena como também em seus adornos.
Dentro das cenas, os pesquisadores mapearam pelo menos quatro fatores que podem conter o código secreto: a posição das figuras, que muitas vezes expõem a parte do corpo que Michelangelo “camuflou” em algum outro ponto (na maioria dos casos, nas dobras das vestimentas); a direção de seus olhares (em alguns casos, os personagens estão olhando para a parte do corpo que corresponde à estrutura anatômica oculta no conjunto da cena); o movimento das mãos, que costumam apontar a peça anatômica escondida; e a região do corpo em que há maior luminosidade. Nos adornos, os autores chamam a atenção para os ignudi (homens nus), que freqüentemente imitam a posição da figura principal, evidenciando a estrutura oculta; os querubins, que indicam com as mãos a peça anatômica camuflada; os nichos em que foram pintados pares de escravos, nos quais os ramos mais evidentes apontariam, no corpo do escravo, a região correspondente ao órgão escondido.
Decifrando esse código, os autores identificaram 32 peças anatômicas espalhadas pelo teto da Capela Sistina. Algumas são mais evidentes enquanto outras exigem o olhar treinado de um anatomista para serem identificadas. Uma das cenas mais fáceis de serem decifradas é “A criação de Eva”, onde o manto de Deus corresponde à estrutura de um pulmão. A pista, nesse caso, é o tórax de Adão aberto do lado esquerdo. “Se fizermos uma incisão como aquela enxergaremos a lateral do pulmão exatamente da forma como está pintado o manto de Deus”, explica Barreto. Na mesma cena, o tronco de árvore sobre o qual Adão repousa representa uma forma muito semelhante à de um segmento de árvore brônquica. “Concluímos, portanto, que essa estrutura complementa a representação do pulmão”, diz Barreto.
Outra imagem que chama atenção é a figura do profeta Joel. Desta vez, segundo os pesquisadores, Michelangelo conseguiu reproduzir o osso temporal direito, incluindo as estruturas do ouvido, como o poro acústico externo, o arco zigomático e a emergência do nervo facial. Na cena, Joel aparece lendo uma carta estreita e comprida, enrolada apenas na mão direita, sendo que a outra extremidade, na mão esquerda, é pontiaguda. Comparando a pintura com a lateral direita de um crânio humano, pode-se concluir, de acordo com os autores, que a carta, na verdade, corresponde ao arco zigomático e à emergência do nervo facial, enquanto a estrutura triangular na qual Joel apóia o braço direito representa o poro acústico externo. Já o manto sobre as costas e braços do profeta delimita o contorno superior do osso temporal em forma de arco.
Há, porém, segundo os autores, cenas em que aparecem estruturas anatômicas mais complexas, nas quais o pintor revela enorme capacidade criativa aliada a um profundo conhecimento sobre anatomia. No quadro “O sacrifício de Noé”, por exemplo, o artista teria desejado mostrar as articulações do punho. O feixe de lenhas carregado por uma das figuras em pé seria a representação do feixe de tendões que compõem essa parte do corpo. “Cada tora de madeira equivale a um tendão”, diz Barreto, acrescentando que o braço direito da figura corresponde à fáscia que cruza transversalmente o feixe de tendões. Nesse caso, uma das pistas é a figura de um jovem em primeiro plano que entrega as vísceras de um carneiro a outro jovem. Nesse gesto ele aparentemente examina o punho daquele que recebe as vísceras.
Outra imagem que revela estruturas anatômicas complexas aparece no quadro “O pecado original”. Nesta cena, em que os personagens aparecem cometendo o pecado original e em seguida sendo expulsos do paraíso, os autores identificaram um complexo sistema de artérias. Segundo Barreto, um pequeno tronco junto ao dorso de Eva é uma descrição precisa do arco aórtico com as coronárias emergindo da base, o tronco braquicefálico, artéria carótida comum, artéria carótida interna e externa. As pistas que indicariam a intenção do pintor estariam no anjo que, ao ordenar a expulsão do casal, aponta a espada para a região cervical de Adão, que estica o pescoço, flexionando a cabeça para a esquerda.
Um apaixonado pela Medicina
Michelangelo começou cedo na arte de dissecar cadáveres. Tinha apenas 13 anos quando participou das primeiras sessões. A ligação do artista com a medicina foi reflexo da efervescência cultural e científica do Renascimento. A prática da dissecação, que se encontrava dormente havia 1.400 anos, foi retomada e exerceu influência decisiva sobre a arte que então se produzia. “O Michelangelo anatomista costuma ser negligenciado pelos historiadores, e conhecê-lo melhor é fundamental para compreender como seu profundo conhecimento anatômico ficou registrado e escondido, até hoje, em sua obra”, dizem os autores.
Segundo Ascanio Condivi, assistente de Michelangelo e autor de uma de suas primeiras biografias, a maioria dos corpos dissecados pelo artista era de criminosos executados, mas alguns provinham de hospitais. Em uma passagem de seu livro sobre os problemas de saúde e as dificuldades de Michelangelo para trabalhar na velhice, Condivi reforçou a intensidade dessas sessões: “ a manipulação por tanto tempo de cadáveres afetou seu estômago de uma forma tal que ele já não come nem bebe direito”.
O envolvimento de Michelangelo com a dissecação de cadáveres era tão intenso que o artista chegou a pensar em transformar seu conhecimento num tratado de anatomia. A idéia não vingou, mas sua arte oculta, gravada no teto da Capela Sistina e agora revelada pelos dois pesquisadores da Unicamp, talvez tenha sido a lição de anatomia mais genial de que a humanidade tem notícia.
Numa noite, 3 descobertas
Os dois pesquisadores levaram pouco mais de um ano para concluir o trabalho, mas a história que levou à publicação do livro começou há quinze anos, quando Gilson Barreto, então estudante de medicina, visitou pela primeira vez a Capela Sistina, no Vaticano. “Gênio”, disse ele em voz baixa ao olhar para obra de Michelangelo sobre sua cabeça. Ao percorrer as nove cenas do vão central, seu olhar se fixou num detalhe do afresco “O pecado original”. Embora uma árvore antropomorfomizada, com a figura feminina da tentação, seja o detalhe mais chamativo, a atenção de Barreto foi especialmente atraída para um pequeno toco árido com um ramo apontado para cima ao lado de Eva.
Com os estudos de anatômicos ainda frescos em sua mente, Barreto enxergou naquele pequeno toco o arco aórtico dissecado. Não havia dúvidas: o ramo apontado para cima correspondia ao tronco braquiocefálico e à artéria carótida comum, que se bifurcava na carótida interna e externa, como esperado. “Notei também que na sua base estavam representadas as artérias coronárias direita e esquerda, que emergem da aorta e descem sobre o músculo cardíaco”, conta. Na época, embora impressionado, o futuro cirurgião não deu muita importância ao fato.
De volta ao Brasil, Barreto concluiu a residência médica e especializou-se em cirurgia de cabeça e pescoço. Ao mesmo tempo, crescia seu interesse pela pintura. Foi então que o artigo do médico norte-americano Frank Lyn Meshberger, associando a cena de “A criação de Adão” com a imagem de uma caixa craniana, publicado em 1990, trouxe de volta à memória de Barreto a experiência vivenciada anos antes na Capela Sistina.
O artigo de Meshberger era tão preciso que Barreto providenciou um slide da figura para apresentar como recurso didático em suas aulas de cirurgia. Em 2003, quando procurava esse slide numa pilha de caixas em seu escritório, o médico teve um insight: “se na cena da criação de Adão Michelangelo fizera uma representação do crânio, não teria também desenhado outras peças anatômicas nos demais afrescos?” Começou a folhear seus livros de arte. Varou horas comparando as cenas da capela com imagens anatômicas reais. “Três descobertas se sucederam naquela noite”, conta.
Na manhã seguinte, com uma pilha de livros nos braços, correu para a casa de seu amigo e vizinho, o professor e pesquisador do Instituto de Química da Unicamp, Marcelo Ganzarolli de Oliveira. Interrompeu o café da manhã e espalhou o material sobre a mesa. Uma a uma, foi mostrando as cenas e comparando-as com as peças anatômicas. Perplexo, Oliveira passou o resto da manhã analisando as imagens junto com Barreto. Começava ali a parceria que resultaria no livro recém-lançado.
Os dois empreenderam um cuidadoso levantamento de informações investigando diversos bancos de dados até chegarem à conclusão de que os afrescos de Michelangelo na Capela Sistina revelam a iconografia de uma aula camuflada de anatomia. “Talvez jamais saibamos o que o levou a representar de forma camuflada as peças anatômicas”, escrevem os autores na introdução da obra. “No entanto, uma vez feita essa descoberta, é inevitável querer saber mais sobre o artista e a época em que ele viveu”, completam.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Expressionismo


Expressionismo

Denominam-se genericamente expressionistas os vários movimentos de vanguarda do fim do século XIX e início do século XX que estavam mais interessados na interiorização da criação artística do que em sua exteriorização, projetando na obra de arte uma reflexão individual e subjetiva. O Expressionismo não se confunde com o Realismo por não estar interessado na idealização da realidade, mas em sua apreensão pelo sujeito. Guarda, porém, com o movimento realista, semelhanças, como uma certa visão anti-"Roamantismo" do mundo.
Sob o rótulo expressionista estão movimentos e escolas como o grupo Die Brucke (do alemão: A ponte), as últimas Secessões vienenses e de uma certa forma o fauvismo. A arquitetura produzida por Mendelsohn também é chamada de expressionista.
Em uma acepção mais ampla, a palavra se refere a qualquer manifestação subjetiva da criação humana.


Origens:


O Expressionismo surge de um desdobramento do pós-impressionismo, recebendo influências de uma série de artistas pertencentes a este período, como o holandês Van Gogh e o norueguês Edvard Munch. Encontra ligações também com certas manifestações do art noveau e do simbolismo.
Considerando os desdobramentos do Impressionismo, os principais precursores do movimento foram Vicent Van Gogh e Edvard Munch e Paul Klee, tal a dramaticidade de suas obras, a importância (e, em certo sentido, a independência) da cor . Ambas as obras propõem uma ruptura formal e ideológica com a Academia e com o Impressionismo. O Simbolismo como um todo também influenciou os movimentos expressionistas, em uma outra esfera, devido à importância dada à


NO BRASIL


No Brasil, observa-se, como nunca, um desejo expresso e intenso de pesquisar nossa realidade social, espiritual e cultural. A arte mergulha fundo no tenso panorama ideológico da época, buscando analisar as contradições vividas pelo país e representá-las pela linguagem estética.
Principais Artistas:

Lasar Segal - De volta da Alemanha, até 1923, seu desenho anguloso e suas cores fortes procuram expressar as paixões e os sofrimentos de ser humanos. Em 1924, retornando para o Brasil, assumiu uma temática brasileira: seus personagens agora são mulatas, prostitutas e marinheiros; sua paisagem, favelas e bananeiras. Em 1929, o artista dedica-se à escultura em madeira, pedra e gesso. Mas entre os anos de 1936 e 1950, sua pintura volta-se para os grandes temas universais, sobretudo para o sofrimento e a solidão.
Anita Malfatti - Sua arte era livre das limitações que o academicismo impunha, seus trabalhos se tornaram marcos na pintura moderna brasileira, por seu comprometimento com as novas tendências.Obras destacadas: A Estudante Russa, O Homem Amarelo, Mulher de Cabelos Verdes e Caboclinha.
Candido Portinari - Importante pintor brasileiro, cuja temática expressa o papel que os artistas da época propunham: denunciar as desigualdades da sociedade brasileira e as consequências desse desequilíbrio. Seu trabalho ficou conhecido internacionalmente através dos corpos humanos sugerindo volume e pés enormes que fazem com que as figuras pareçam relacionar-se intimamente com a terra, esta sempre pintada em tons muito vermelhos. Portinari pintou painéis para o pavilhão brasileiro da Feira Mundial de Nova York, Via Crucis - para a igreja de São Francisco, na Pampulha, Belo Horizonte (MG) e murais da sala da Fundação Hispânica na Biblioteca do Congresso, em Washington. Sua pintura retratou os retirantes nordestinos, a infância em Brodósqui, os cangaceiros e temas de conteúdo histórico como Tiradentes, atualmente no Memorial da América Latina, em São Paulo, e o painel A Guerra e a Paz, pintado em 1957 para a sede da ONU.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

POP-ART




Introdução


Com o objetivo da crítica irônica do bombardeamento da sociedade pelos objetos de consumo, ela operava com signos estéticos massificados da publicidade e do consumo, usando como materiais principais, tinta acrílica, poliéster, látex, produtos com cores intensas, brilhantes e vibrantes, reproduzindo objetos do quotidiano em tamanho consideravelmente grande, transformando o real em hiper-real.
Pop Art, movimento que usava figuras e ícones populares como tema de suas pinturas.
Movimento principalmente americano e britânico, sua denominação foi empregada pela primeira vez em 1954, pelo crítico inglês Lawrence Alloway, para designar os produtos da cultura popular da civilização ocidental, sobretudo os que eram provenientes dos Estados Unidos.
Com raízes no dadaísmo de Marcel Duchamp, o pop art começou a tomar forma no final da década de 1950, quando alguns artistas, após estudar os símbolos e produtos do mundo da propaganda nos Estados Unidos, passaram a transformá-los em tema de suas obras.
Representavam, assim, os componentes mais ostensivos da cultura popular, de poderosa influência na vida cotidiana na segunda metade do século XX. Era à volta a uma arte figurativa, em oposição ao expressionismo abstrato que dominava a cena estética desde o final da segunda guerra. Sua iconografia era a da televisão, da fotografia, dos quadrinhos, do cinema e da publicidade.
Com o objetivo da crítica irônica do bombardeamento da sociedade pelos objetos de consumo, ela operava com signos estéticos massificados da publicidade, quadrinhos, ilustrações e designam, usando como materiais principais, tinta acrílica, ilustrações e designs, usando como materiais, usando como materiais principais, tinta acrílica, poliéster, látex, produtos com cores intensas, brilhantes e vibrantes, reproduzindo objetos do cotidiano em tamanho consideravelmente grande, transformando o real em hiper-real. Mas ao mesmo tempo em que produzia a crítica, a Pop Art se apoiava e necessitava dos objetivos de consumo, nos quais se inspirava e muitas vezes o próprio aumento do consumo, como aconteceu, por exemplo, com as Sopas Campbell, de Andy Warhol, um dos principais artistas da Pop Art. Além disso, muito do que era considerada brega, virou moda, e já que tanto o gosto, como a arte tem um determinado valor e significado conforme o contexto histórico em que se realiza, a Pop Art proporcionou a transformação do que era considerado vulgar, em refinado, e aproximou a arte das massas, desmistificando, já que se utilizava objeto próprio delas, a arte para poucos.


Principais Artistas:

Robert Rauschenberg (1925)

Depois das séries de superfícies brancas ou pretas reforçadas com jornal amassado do início da década de 1950, Rauschenberg criou as pinturas "combinadas", com garrafas de Coca-Cola, embalagens de produtos industrializados e pássaros empalhados.
Por volta de 1962, adotou a técnica de impressão em silk-screen para aplicar imagens fotográficas a grandes extensões da tela e unificava a composição por meio de grossas pinceladas de tinta. Esses trabalhos tiveram como temas episódios da história americana moderna e da cultura popular.

Roy Lichtenstein (1923-1997).

Seu interesse pelas histórias em quadrinhos como tema artístico começou provavelmente com uma pintura do camundongo Mickey, que realizou em 1960 para os filhos. Em seus quadros a óleo e tinta acrílica, ampliou as características das histórias em quadrinhos e dos anúncios comerciais, e reproduziu a mão, com fidelidade, os procedimentos gráficos. Empregou, por exemplo, uma técnica pontilhista para simular os pontos reticulados das historietas. Cores brilhantes, planas e limitadas, delineadas por um traço negro, contribuíam para o intenso impacto visual.
Com essas obras, o artista pretendia oferecer uma reflexão sobre a linguagem e as formas artísticas. Seus quadros, desvinculados do contexto de uma história, aparecem como imagens frias, intelectuais, símbolos ambíguos do mundo moderno. O resultado é a combinação de arte comercial e abstração.


Andy Warhol (1927-1987).

Ele foi figura mais conhecida e mais controvertida do pop art, Warhol mostrou sua concepção da produção mecânica da imagem em substituição ao trabalho manual numa série de retratos de ídolos da música popular e do cinema, como Elvis Presley e Marilyn Monroe. Warhol entendia as personalidades públicas como figuras impessoais e vazias, apesar da ascensão social e da celebridade. Da mesma forma, e usando, sobretudo a técnica de serigrafia, destacou a impessoalidade do objeto produzido em massa para o consumo, como garrafas de Coca-Cola, as latas de sopa Campbell, automóveis, crucifixos e dinheiro.
Produziu filmes e discos de um grupo musical, incentivou o trabalho de outros artistas e uma revista mensal .


Arte Comercial X Arte Erudita.

A principal discussão nos meios artísticos sempre foi até que ponto a arte pop pode ser considerada arte. Esta questão é levantada pelos membros eruditos da arte da época, que tanto tentaram resistir ao fato de que uma arte comercial que pode, e não deixa de ser, uma arte.
Muitos defenderam que o motivo por uma arte publicitária não poder ser tomada como arte é por causa dos fins para que esta arte é feita, é uma arte que já nasce na concepção que precisa vender e ser vendida. Mas até que ponto estes artistas eruditos estão distantes de conceberem suas obras para serem vendidas? A partir do momento que o mecenato é extinto, os artistas dependem dos comerciantes para obterem seus ganhos de vida. A opção por uma arte como a Pop Art se torna óbvia se verificar que a os artistas mais representativos deste movimento tiveram que percorrer vários caminhos da cultura popular, já que não conseguiram obter sucesso imediato na cena artística. Apesar de terem uma formação erudita da arte tal como os artistas do expressionismo abstrato (movimento da "arte elevada" que prevalecia na época), não puderam limitar seus estudos às artes. Foram forçados a buscarem formas alternativas de trabalhos artísticos, como a pintura de cartazes, colagens para anúncios publicitários, desenhos de anúncios de produtos, etc. E foi através deste contato com a cultura comercial que eles passaram a perceber uma nova concepção de arte.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

ARTE ROMANA



ARTE ROMANA

A arte romana sofreu duas fortes influências: a da arte etrusca popular e voltada para a expressão da realidade vivida, e a da greco-helenística, orientada para a expressão de um ideal de beleza.Um dos legados culturais mais importantes que os etruscos deixaram aos romanos foi o uso do arco e da abóbada nas construções.


ARQUITETURA

· As características gerais da arquitetura romana são:
· busca do útil imediato, senso de realismo;
· grandeza material, realçando a idéia de força;
· energia e sentimento;
· predomínio do caráter sobre a beleza;
· originais: urbanismo, vias de comunicação, anfiteatro, termas.



As construção eram de cinco espécies, de acordo com as funções:
1) Religião: Templos
Pouco se conhece deles. Os mais conhecidos são o templo de Júpiter Stater, o de Saturno, o da Concórdia e o de César. O Panteão, construído em Roma durante o reinado do Imperador Adriano foi planejado para reunir a grande variedade de deuses existentes em todo o Império, esse templo romano, com sua planta circular fechada por uma cúpula, cria um local isolado do exterior onde o povo se reunia para o culto.
2) Comércio e civismo: Basílica
A princípio destinada a operações comerciais e a atos judiciários, a basílica servia para reuniões da bolsa, para tribunal e leitura de editos. Mais tarde, já com o Cristianismo, passou a designar uma igreja com certos privilégios. A basílica apresenta uma característica inconfundível: a planta retangular, (de quatro a cinco mil metros) dividida em várias colunatas. Para citar uma, a basílica Julia, iniciada no governo de Júlio César, foi concluída no Império de Otávio Augusto.
3) Higiene: Termas
Constituídas de ginásio, piscina, pórticos e jardins, as termas eram o centro social de Roma. As mais famosas são as termas de Caracala que, além de casas de banho, eram centro de reuniões sociais e esportes.
4) Divertimentos:
a) Circo: extremamente afeito aos divertimentos, foi de Roma que se originou o circo. Dos jogos praticados temos:
jogos circenses - corridas de carros;
ginásios - incluídos neles o pugilato;
jogos de Tróia - aquele em que havia torneios a cavalo;
jogos de escravos - executados por cavaleiros conduzidos por escravos;
Sob a influência grega, os verdadeiros jogos circenses romanos só surgiram pelo ano 264 a.C. Dos circos romanos, o mais célebre é o "Circus Maximus".
b) Teatro: imitado do teatro grego. O principal teatro é o de Marcelus. Tinha cenários versáteis, giratórios e retiráveis.
c) Anfiteatro: o povo romano apreciava muito as lutas dos gladiadores. Essas lutas compunham um espetáculo que podia ser apreciado de qualquer ângulo. Pois a palavra anfiteatro significa teatro de um e de outro lado. Assim era o Coliseu, certamente o mais belo dos anfiteatros romanos. Externamente o edifício era ornamentado por esculturas, que ficavam dentro dos arcos, e por três andares com as ordens de colunas gregas (de baixo para cima: ordem dórica, ordem jônica e ordem coríntia). Essas colunas, na verdade eram meias colunas, pois ficavam presas à estrutura das arcadas. Portanto, não tinham a função de sustentar a construção, mas apenas de ornamentá-la. Esse anfiteatro de enormes proporções chegava a acomodar 40.000 pessoas sentadas e mais de 5.000 em pé.
5) Monumentos decorativos
a) Arco de Triunfo: pórtico monumental feito em homenagem aos imperadores e generais vitoriosos. O mais famoso deles é o arco de Tito, todo em mármore, construído no Forum Romano para comemorar a tomada de Jerusalém.
b) Coluna Triunfal: a mais famosa é a coluna de Trajano, com seu característico friso em espiralque possui a narrativa histórica dos feitos do Imperador em baixos-relevos no fuste. Foi erguida por ordem do Senado para comemorar a vitória de Trajano sobre os dácios e os partos.
6) Moradia: Casa
Era construída ao redor de um pátio chamada Atrio.
PINTURAO Afresco muito utilizado na decoração dos muros e pisos da arquitetura em geral.A maior parte das pinturas romanas que conhecemos hoje provém das cidades de Pompéia e Herculano, que foram soterradas pela erupção do Vesúvio em 79 a.C. Os estudiosos da pintura existente em Pompéia classificam a decoração das paredes internas dos edifícios em quatro estilos.
Primeiro estilo: recobrir as paredes de uma sala com uma camada de gesso pintado; que dava impressão de placas de mármore.
Segundo estilo: Os artistas começaram então a pintar painéis que criavam a ilusão de janelas abertas por onde eram vistas paisagens com animais, aves e pessoas, formando um grande mural.
Terceiro estilo: representações fiéis da realidade e valorizou a delicadeza dos pequenos detalhes.Quarto estilo: um painel de fundo vermelho, tendo ao centro uma pintura, geralmente cópia de obra grega, imitando um cenário teatral.

ESCULTURA
Os romanos eram grandes admiradores da arte grega, mas por temperamento, eram muito diferentes dos gregos. Por serem realistas e práticos, suas esculturas são uma representação fiel das pessoas e não a de um ideal de beleza humana, como fizeram os gregos. Retratavam os imperadores e os homens da sociedade.
Mais realista que idealista, a estatuária romana teve seu maior êxito nos retratos.Com a invasão dos bárbaros as preocupações com as artes diminuíram e poucos monumentos foram realizados pelo Estado. Era o começo da decadência do Império Romano que, no séc. V - precisamente no ano de 476 - perde o domínio do seu vasto território do Ocidente para os invasores germânicos.

MANEIRISMO


Maneirismo, barroco e rococó.

Na arte européia, o classicismo renascentista desmembrou-se em três movimentos diferentes: o maneirismo , barroco e o rococó.
Maneirismo
O Maneirismo foi um estilo e um movimento artísticos europeus de retoma de certas expressões da cultura medieval que, aproximadamente os anos de entre 1515 e 1610, constituíram manifesta reação contra os valores clássicos prestigiados pelo humanismo renascentista. Caracterizou-se pela concentração na maneira, o estilo levou à procura de efeitos bizarros que já apontam para a arte moderna, como o alongamento das figuras humanas e os pontos de vista inusitados. As primeiras manifestações anticlássicas dentro do espírito clássico renascentista costumam ser chamadas de maneiristas. O termo surge da expressão a maniera de, usada para se referir a artistas que faziam questão de imprimir certas marcas individuais em suas obras.
Um bom exemplo é o David de Michelangelo. A figura representada não obedece às proporções estabelecidas pelos tratados clássicos. As mãos e os pés são bastante desproporcionais.
Em Portugal, as fontes de inspiração italianas, francesas, flamengas e castelhanas colheram-se no estágio de artistas nacionais na Itália, como Francisco de Holanda, etc., na presença de mestres estrangeiros, como Chanterene, etc., na circulação de quadros e gravuras especialmente flamengas (Cornelius, etc.), na edição de Tratados (Medidas del Romano, etc.) na divulgação dos ensinos teóricos de Herrera, de Palladio, etc., e nos motivos ornamentais das artes gráficas.

FLORENÇA - DUOMO - ARQUITETURA

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

RENASCIMENTO





INTRODUÇÃO

O termo Renascimento é comumente aplicado à civilização européia que se desenvolveu entre 1300 e 1650. Ele sugere que, a partir do século XIV, teria havido na Europa um súbito reviver dos ideais da cul­tura greco-romana. Mas na verdade foi um momento da História muito mais amplo e complexo onde ocorreram muitos progressos e incontáveis rea­lizações no campo das artes, da literatura e das ciências, que superaram a herança clássica. O ideal do humanismo foi sem dúvida o móvel desse progresso e tornou-se o próprio espírito do Renascimento. Num senti­do amplo, esse ideal pode ser entendido como a valorização do homem e da natureza, em oposição ao divino e ao sobrenatural , conceitos que haviam impregnado a cultura da Idade Media.Nas artes, o ideal humanista e a preocupação com o rigor cientifico podem ser encontrados nas mais diferentes manifestacões. Trabalhando ora o espaço, na arquitetura, ora as linhas e cores, na pintura, ou ainda os volumes, na escultura, os artistas do Renascimento sempre expressa­ram os maiores valores da época: a racionalidade e a dignidade do ser humano.A arquitetura renascentistaPara compreender melhor as idéias que orientaram as construções renascentistas, retomemos rapidamente a linha evolutiva da arquitetura religiosa.No início, a basílica cristã imitava um templo grego e constituía-­se apenas de um salão retangular. Mais tarde, no período bizantino, as plantas das igrejas complicaram-se num intrincado desenho octogonal. A época românica, por sua vez, produziu templos com espaços mais organizados. Já a arquitetura gótica buscou uma verticalidade exage­rada, criando espaços imensos, cujos limites não são claramente visíveis.No Renascimento, a preocupação dos construtores foi diferente. Era preciso criar espaços compreensíveis de todos os ângulos visuais, que fossem resultantes de uma justa proporção entre todas as partes do edifício.A principal característica da arquitetura do Renascimento, portanto, foi a busca de uma ordem e de uma disciplina que superasse o ideal de infinitude do espaço das catedrais góticas. Na arquitetura renascentista, a ocupação do espaço pelo edifício baseia-se em relações matemáticas estabelecidas de tal forma que o observador possa compreender a lei que o organiza, de qualquer ponto em que se coloque.Um dos arquitetos que pela primeira vez projetou edifícios que espelham esse ideal do Renascimento foi Filippo Brunelleschi (1377-1446).Brunelleschi é um exemplo de artista completo do Renascimento, pois foi pintor, escultor e arquiteto, além de dominar conhecimentos de Matemática, Geometria e de ser grande conhecedor da poesia de Dan­te. Foi como construtor, que realizou seus mais importantes trabalhos, entre eles a cúpula da catedral de Florença — conhecida também por igreja de Santa Maria del Fiore, o Hospital dos Inocentes e a Capela Pazzi, sendo nessa onde alcançou plenamente os objetivos da arquitetura renascentista. Aí, não é o edifício que possui o homem, mas este que, aprendendo a lei simples do espaço, possui o segredo do edifício.O Palácio Ducal de Urbino, cuja autoria do projeto é desconhecida, trata-se de outro exemplo de construção renascentista que revela o espírito científico e humanista da Renascença.
Principais características:Ordens ArquitetônicasSimetriaArcos de Volta-PerfeitaSimplicidade na construçãoA escultura e a pintura se desprendem da arquitetura e passam a ser autônomaConstruções; palácios, igrejas, vilas (casa de descanso fora da cidade), fortalezas (funções militares)Exemplos na França, Paris: Igreja St. Etienne-du-Mont; Igreja St.-Eustache; Fontaine des Innocentes; Pont Neuf. Exemplos na Espanha: Hostal de San Marcos.
A pintura renascentistaA pintura do Renascimento confirma as três conquistas que os artistas do último período gótico já haviam alcançado : a perspectiva, o uso do claro-escuro e o realismo.No final da Idade Média e no Renascimento, porém, predomina a tendência de uma interpretação cientifica do mundo. O resultado dis­so nas artes plásticas, e sobretudo na pintura, são os estudos da pers­pectiva segundo os princípios da Matemática e da Geometria. O uso da perspectiva conduziu a outro recurso, o claro-escuro, que consiste em pintar algumas áreas iluminadas e outras na sombra. Esse jogo de contrastes reforça a sugestão de volume dos corpos. A combinação da perspectiva e do claro-escuro contribuiu para o maior realismo das pinturas.Outra característica da arte do Renascimento, em especial da pintura, foi o surgimento de artistas com um estilo pessoal, diferente dos demais.Durante a Idade Media, como vimos, a produção artística era anônima. Isso ocorreu porque toda a arte resultou de idéias anteriormente estabelecidas — seja pelo poder real, seja pelo poder eclesiástico — as quais o artista deveria se submeter.Com o Renascimento esse quadro se altera, já que o período se caracteriza pelo ideal de liberdade e, conseqüentemente, pelo individualismo. E, portanto, a partir dessa época que começa a existir o artista como o conceituamos atualmente: um criador individual e autônomo,que expressa em suas obras os seus sentimentos e suas idéias, sem submissão a nenhum poder que não a sua própria capacidade de criação.
Principais características:Perspectiva: arte de figura, no desenho ou pintura, as diversas distâncias e proporções que têm entre si os objetos vistos à distância, segundo os princípios da matemática e da geometria.Uso do claro-escuro: pintar algumas áreas iluminadas e outras na sombra, esse jogo de contrastes reforça a sugestão de volume dos corpos.Realismo: os artistas do Renascimento não vê mais o homem como simples observador do mundo que expressa a grandeza de Deus, mas como a expressão mais grandiosa do próprio Deus. E o mundo é pensado como uma realidade a ser compreendida cientificamente, e não apenas admirada.Inicia-se o uso da tela e da tinta a óleo.
Assim, no Renascimento são inúmeros os nomes de artistas conhecidos, tendo cada um características próprias, como veremos a seguir. Masaccio : a pintura como imitação do real
Masaccio (1401-1428)Foi o primeiro pintor do século XV a conceber a pintura como imitação fiel do real, como a reprodução das coisas tal como elas são.O seu realismo era tão cuidadoso que ele parece ter a intenção de convencer o observador a respeito da realidade da cena retratada, como se pode observar em seus quadros Adão e Eva Expulsos do Paraíso, São Cedro Distribui aos Pobres os Bens da Comunidade e São Pedro Cura os Enfermos. Mas além disso, o pintor parece convidar o observador a também participar do que está representado na pintura, que observamos nas obras Santíssima Trindade e Madona com o Menino.O artista do Renascimento não vê mais o homem como uma simples observador do mundo que expressa a grandeza de Deus, mas como a expressão mais grandiosa do próprio Deus. E o mundo é pensado como uma realidade a ser compreendida cientificamente, e não apenas admirada.Fra Angélico (1387-1455)Fra Angélico : a busca da conciliação entre o terreno e o sobrenatural. Sua pintura, embora siga os princípios renascentistas da perspectiva e da correspondência entre luz e sombra, esta impregnada de um sentido místico. É o caso, por exemplo, de O Juizo Universal e Deposição. O ser humano representado em suas obras de não parece manifestar angústia ou inquietação diante do mundo, mas serenidade, pois se reconhece como submisso a vontade de Deus.Em sua obra Anunciação, pintada entre 1433 e 1434, nota-se que ainda persiste a intenção religiosa. No entanto, a perspectiva e o realismo já são bastante evi­dentes. Aqui, as figuras ganham volume e as feições mais humanas, diferentemente do aspecto menos realista das personagens que aparecem nos quadros pintados anteriormente, e a anunciação do anjo a Maria ambientada numa construção cujas linhas geometrias parecem abrigar a serenidade com que Nossa Senhora ouve a mensagem divina.Paollo Uccello (1397-1475)Paollo Uccello : encontro das fantasias medievais e da perspectiva geométrica, procura compreender o mundo segun­do os conhecimentos científicos do seu tempo e, em suas obras, tenta recriar a realidade segundo princípios matemáticos.Mas, por outro lado, sua imaginação corteja as fantasias medievais, o mundo lendário de um período que já estava se constituindo num passado superado. Essa característica de Uccelo pode ser observada no quadro São Jorge e o Dragão.Além disso, outro aspecto importante de sua pintura é a representação do momento em que um movimento está sendo contido. No painel central do tríptico Batalha de São Romão, por exemplo, os cavalos parecem refrear o ímpeto de uma corrida que logo será iniciada.Piero della Francesc a (1410-1492)Piero della Francesca : a imobilidade e beleza geométrica, para ele a pintura não tem por função representar um acontecimento. As cenas que suas obras mostram ser­vem como suporte para a apresentação de uma composição geométrica. Na Ressurreição de Jesus, por exemplo, o grupo de figuras humanas ali representadas compõe uma pirâmide, cujo ponto mais elevado é a cabeça de Cristo e cuja base são os soldados que dormem sentados no chão próximo ao túmulo.No díptico que retrata o Duque Frederico de Mon­tefeltro e sua esposa Battista Sforza é bastante clara a preocupação do artista em reduzir as figuras as suas formas geométricas.Os pintores cubistas do século XX impressionaram-se muito coram essa obra. Eles compreenderam a aproximação feita entre as figuras humanas e as geométricas, pois fica patente no retrato do duque e de sua esposa que o rosto feminino assemelha-se a uma esfera, e o masculino, a um cubo.Como pudemos ver por esses exemplos, em Piero della Francesca a pintura não se destina a transmitir emoções, como alegria, tristeza, sensualidade. Para ele, a pintura resulta da combinação de figuras e do uso de áreas de luz e sombra. Seu universo é representado de uma forma geométrica e estática. Isso pode ser observado também no Batismo de Jesus e em Nossa Senhora com o Menino e Santos.Botticelli(1445-1510)Botticelli : a linha que sugere ritmo e não energia ele foi considerado o artista que melhor expressou, através do desenho, um ritmo suave e gracioso para as figuras pin­tadas. Os temas de seus quadros — quer tirados da Antiguidade grega, quer tirados da tradição cristã — foram escolhidos segundo a possibilidade que lhe proporcionavam de expressar seu ideal de beleza. Para ele, a beleza estava associada ao ideal cristão da graça divina. Por isso, as figuras humanas de seus quadros são belas porque manifestam a graça divina, e, ao mesmo tempo, melancolias porque supõem que perderam esse dom de Deus.Sua criação mais famosa, Nascimento de Vênus, retoma um tema da Antiguidade pagã, mas Botticelli transforma Vênus, a deusa do amor, no símbolo da pureza e da verdade.Mas é na obra A Primavera que podemos compreender melhor as características de Botticelli. Essa pintura foi feita para decorar uma parede da casa de um dos membros da família Médici, de Florença. O assunto é a representação do mundo pagão. Ao centro esta a deusa Vênus; acima de sua cabeça, Cupido dispara suas setas que despertam o sentimento do amor. A esquerda de Vênus estão Flora, a Primavera — uma jovem com um ramo de flor na boca — e Zéfiro, o vento oeste, na mitologia grega. A direita de Vênus estão as três Graças e Mercúrio, o mensageiro dos deuses. Aparentemente, as figuras não tem muita relação entre si, mas o observador as percebe como um conjunto.O que as une é o ritmo suave do desenho e a sugestiva paisagem em tons escuros que favorecem a impressão de relevo das figuras claras em primeiro plano.Leonardo da Vinci(1452-1519)Leonardo da Vinci : a busca do conhecimento cientifico e da beleza artística. ele foi possuidor de um espírito versátil que o tornou capaz de pesquisar e realizar trabalhos em diversos campos do conhecimento humano.Aos 17 anos esteve em Florença, como aprendiz, no estúdio de Ver­rocchio, escultor e pintor já consagrado. Em 1482 foi para Milão, onde se interessou por questões de urbanismo e fez um projeto completo para a cidade. Projetou uma rede de canais e um sistema de abastecimento de água e de esgotos. Previu ruas alinhadas, praças e jardins públicos. Por volta de 1500, dedicou-se aos estudos de perspectiva e de óptica, de proporções e anatomia. Nessa época realizou inúmeros desenhos — cerca de 4 000 — acompanhados de anotações e os mais diversos estudos sobre proporções de animais, movimentos, plantar de edifícios e engenhos mecânicos.Na verdade, Leonardo Da Vinci pintou pouco: o afresco da Santa Ceia, no convento de Santa Maria della Grazie, em Milão, e cerca de quinze quadros, dentre os quais destacam-se Anunciação, Gioconda e Santana, a Virgem e o Menino. Ele dominou com sabedoria um jogo expressivo de luz e sombra, gerador de uma atmosfera que parte da realidade mas que estimula a imaginação do observador. Um exemplo disso é o quadro A Virgem dos Rochedos. Um conjunto de rochas escuras faz fundo para o grupo formado por Maria, São João Batista, Jesus e um anjo. Essas figuras estão dispostas de maneira a formar uma pirâmide, da qual Maria ocupa o vértice. Essa disposição geométrica das personagens mais a luz que incide no rosto da virgem, em contraste com as rochas escuras, a torna o centro da obra.Mas a nossa atenção é desviada para o Menino Jesus, o que o torna a figura principal da composição. Leonardo conseguiu isso pelo envolvimento do corpo do menino na luz, pela atitude de adoração de São João, pela mão de Ma­ria estendida sobre a cabeça do menino e pela atitude protetora do anjo, que o apóia.Por sua vez, a profundidade do quadro é dada pela luz que brilha muito além da escuridão da superfície das pedras.
Michelangelo (1475-1564)Michelangelo : a genialidade a serviço da expressão da dignidade humanaAos 13 anos, foi aprendiz de Domenico Ghirlandaio, consagrado pintor de Florença. Mais tarde passou a freqüentar a escola de escultura mantida por Lourenço Médici, também em Florença, onde entrou em contato com a filosofia de Platão e com o ideal grego de beleza — o equilíbrio das formas.Entre 1508 e 1512, Michelangelo trabalhou na pintura do teto da Capela Sistina, no Vaticano. Para essa capela, concebeu e realizou grande numero de cenas do Antigo Testamento. Dentre tantas cenas que expressam a genialidade do artista, uma particularmente representativa é a da criação do homem. Deus, representado por um homem de corpo vigoroso e cercado por anjos, estende a mão para tocar a de Adão, representado por um homem jovem, cujo corpo forte e harmonioso concretiza magnificamente o ideal da beleza do Renascimento.Rafael Sanzio (1483-1520)Rafael: o equilíbrio e a simetria ele é considerado o pintor que melhor desenvolveu, na Renascença, os ideais clássicos de beleza: harmonia e regularidade de formas e de cores. Tornou-se muito conhecido como pintor das figural de Maria e Jesus e seu trabalho realizou-se de modo tão precisamente elaborado que se transformou em modelo para o ensino acadêmico de pintura.Suas obras comunicam ao observador um sentimento de ordem e segurança, pois os elementos que compõem seus quadros são dispostos em espaços amplos, claros e de acordo com uma simetria equilibra­da. Rafael evitou o excesso de detalhes e o decorativismo, expressando sempre de forma clara e simples os temas pelos quais se interessou.Dentre sua grande produção é importante mencionar A Libertação de São Pedro, A Transfiguração e A Escola de Atenas. Esta última é um afresco pintado no Palácio do Vaticano, que pretende ser um sumário gráfico da história da filosofia grega. No centro, estão Pla­tão e Aristóteles. À volta deles agrupam-se outros sábios e estudiosos. Mas depois que o olhar do observador passeia pelo conjunto das figuras, procurando identificar aqui e ali outros personagens, sua atenção volta-se para o amplo espaço arquitetônico representado pela pintura. São admiráveis a sugestão de profundidade e a beleza monumental das arcadas e estatuas. E neste modo de representar o espaço e de ordenar as figural com equilíbrio e simetria que residem os valores artísticos da pintura serena, mas eloqüente de Rafael.A escultura renascentista italianaNa escultura italiana do Renascimento, dois artistas se destacam por terem produzido obras que testemunham a crença na dignidade do homem: Michelangelo e Verrocchio.Inicialmente, Andréa Del Verrocchio (1435-1488) trabalhou em ourivesaria. Esse fato acabou influenciando sua escultura. Observando algumas de suas obras, encontramos detalhes decorados que lembram as minúcias do trabalho de um ourives. E assim com os arreios do cavalo do Monumento Eqüestre a Colleoni, em Veneza, ou nos detalhes da túnica do seu Davi, em Florença. Mas Verrocchio foi escultor seguro na criação de volumes e considerado, na estatuaria, um precursor do jogo de luz e sombra, tão próprio da pintura de seu discípulo Leonardo da Vinci.Quando alguém observa atentamente a escultura que Verrocchio fez para o personagem bíblico Davi, inevitavelmente a compara ao Davi de Michelangelo.É interessante notar que as figuras humanas concebidas por Mi­chelangelo e por Verrocchio para representar o jovem que, segundo a narração bíblica, derrota o gigante Golias, são extremamente diferentes entre si. O Davi de Verrocchio é uma escultura em bronze e retrata um adolescente ágil e elegante, em sua túnica enfeitada. Já o mesmo Davi em mármore, de Michelangelo, apresenta-se como um desafio para quem o contempla. Ao observarmos esta escultura, notamos que não se trata de um adolescente e sim de um jovem adulto, com o corpo tenso e cheio de energias controladas. Não é frágil como o Davi de Ver­rocchio, nem perfeito e elegante como o Antinuos grego. A mão é colossal, mesmo na proporção da estátua. É a mão de um homem do povo, forte e acostumado ao trabalho. Mas é na cabeça que se encontram os traços mais reveladores. O Davi de Michelangelo tem uma expressão desconhecida na escultura até então. Contém uma espécie de força exterior que não aparece no humanismo idealizado dos gregos. O Davi de Michelangelo é heróico. Possui um tipo de consciência que surge com o Renascimento em sua plenitude: a capacidade de enfrentar os desafios da existencia. Não é apenas contra Golias que este Davi se rebela e batalha. E contra todas as adversidades que podem ameaçar o ser humano.A criatividade de Michelangelo manifestou-se ainda em outros trabalhos, como a Pietá, conhecido conjunto escultórico conservado atualmente na basílica de São Pedro, em Roma, e as esculturas para a capela da família Médici, em Florença.A Pietá realizada quando o artista tinha apenas 23 anos, mostra um surpreendente trabalho de escultura em mármore, ao registrar o drapeado das roupas, os músculos e as veias dos corpos. Mas é na figura de Maria é que ele manifesta seu gênio criador. Desobedecendo a passagem do tempo, retrata a mãe de Jesus como uma mulher jovem, cuja expressão de docilidade contrasta com o assunto da cena: o recolhimento do corpo de seu filho após a morte na cruz.Na capela da família Médici, Michelangelo realiza trabalhos de escultura nas tumbas dedicadas a Lourenço, Duque de Urbino, e a Juliano, Duque de Nemours. No túmulo de Lourenço estão as alegorias o Crepúsculo e a Aurora; no tumulo de Juliano, o Dia e a Noite.É interessante observar como Michelangelo concebeu essas quatro figuras que reapresentam a passagem do tempo. A Aurora, embora simbolize o despertar da vida, traz um véu na cabeça, que e sinal de luto. O Crepúsculo, apesar de ser um homem maduro, tem o rosto indefinido. Já a Noite, melancólica, em sua posição esquisita, parece não conseguir re­pousar, enquanto o rosto do Dia, aparente­mente inacabado, revela incerteza.Evidentemente, é possível admirar muitos escultores italianos renascentistas, mas a grandeza heróica de Michelangelo detém os olhos e as emoções de quem quer conhecer a arte da escultura desse período.
Principais características:Buscavam representar o homem tal como ele é na realidadeProporção da figura mantendo a sua relação com a realidadeProfundidade e perspectivaEstudo do corpo e do caráter humanoO renascimento nos Alemanha e nos Países BaixosAs concepções estéticas italianas de valorização da cultura greco-romana começaram a se internacionalizar e atingir outros paises europeus. Nesses países, foi comum o conflito entre as tendências nacionais e as novas formas artísticas vindas da Itália. Mas esse conflito acabou se resolvendo com a nacionalização das idéias italianas.Fora da Itália, foi a pintura, entre as artes plásticas, que melhor refletiu a nacionalização do espírito humanista tão próprio da Renascença italiana. No século XV, ainda eram conservadas, na pintura alemã e na dos Paises Baixos, por exemplo, as características do estilo gó­tico. Mas alguns artistas, como Durer, Hans Holbein, Bosch e Bruegel, fizeram uma espécie de conciliação entre o gótico e a nova pintura ita­liana, que resultava de uma interpretação cientifica da realidade.Albrecht Durer (1471-1528)Durer: a busca dos tacos psicológicos do ser humano, ele foi o primeiro artista alemão a conceber a arte como uma representação fiel da realidade. Por isso, em várias de suas obras, procurou refletir a realidade de seu tempo e de seu país, representando camponeses, soldados e gente do povo em seus trajes característicos. Como se dedicou a estudos de geometria e perspectiva, valorizou os métodos científicos para a analise e recriação das paisagem naturais e da figura humana.Ao contrário de outros artistas que admiravam a geometria e fize­ram das figuras geométricas suportes para o desenho da figura humana, Durer, famoso pelos vários retratos que fez dele mesmo, de seu pai e de personalidades da época, buscou também os traços psicológicos do retratado. É assim, por exemplo, com o retrato de Oswolt Krel. Nele o artista não apenas registra fielmente os traços físicos e a posição social do personagem, como revela também um pouco do caráter enérgico desse comerciante alemão.Além de pintor, Durer foi desenhista e gravador. São famosos os desenhos que fez para ilustrar livros, não só por causa da beleza de suas linhas, mas também porque, como os desenhos de Leonardo da Vinci, contribuíram para a compreensão cientifica da natureza.Hans Holbein (1498-1543)Hans Holbein: a valorização do humanismo, ficou conhecido na história da pintura como retratista de personalidades políticas, financeiras e intelectuais da Inglaterra e dos Paises Baixos. Seus personagens são retratados segundo os princípios de um realismo tranquilo, diferente da inquietação que Durer imprimia a seus retratos. Soube expressar com serenidade e es­mero técnico tanto o idea1 renascentista de beleza como a precisão da forma.Dos seus retratos, é bastante conhecido o de Erasmo de Roterdã. Holbein, amigo de Eras­mo, retratou com simplicidade e fina perspicácia os traços físicos e psicológicos deste grande humanista do século XVI, considerado, dentro de sua época, o maior defensor da internacionalização da cultura e contrario aos excessos nacionalistas, que conduzem a preconceitos e impõe estreitos limites a inteligência humana.Hieronymus Bosch (1450-1516)Bosch : a força da fantasia, criou um estilo inconfundível. Sua pintura é rica em símbolos da astrologia, da alquimia e da magia conhecidas no final da Idade Media. No entanto, nem todos os elementos presentes em suas telas podem ser decifrados, pois ele seleciona e combina aspectos dos mais diversos seres, criando formas que estão presentes apenas nos sonhos ou nos delírios. Desse modo, uma figura pode apresentar aspectos vegetais e animais associados arbitrariamente pelo artista.Por que a composição desse artista e assim e o que ela reflete? Alguns críticos vêem na pintura de Bosch a representação do conflito que inquietava o espírito do homem do final da Idade Media: a tensão entre o sentimento do pecado ligado aos prazeres materiais, de um lado, e a busca das virtudes de uma vida ascética, de outro. Além disso, um forte misticismo se espalhou pela Europa entre as pessoas mais simples e fortaleceu conceitos supersticiosos e crenças em manifestações diabólicas ou divinas. Esses conflitos podem ser vistos em obras, como As Ten­tações de Santo Antonio, Carroça de Feno e Os Sete Pecados Capitais.Das obras de Bosch a mais instigante é, inegavelmente, o triptico chamado O Jardim das Delicias. No painel da esquerda, chamado Paraíso terrestre, o artista retrata a criação de Adão e Eva, tendo como cenário uma paisagem exótica e nada parecida com a imagem do paraíso descrito na Bíblia. O painel central é o próprio Jardim das Delícias. Aí, estranhos personagens, animais, frutos, aves e peixes parecem realizar um movimento delirante. Mas, no painel da direita — O Inferno Musical —, Bosch cria um clima complexo e terrível. Misturando formas humanas, animais, vegetais e minerais em meio a tons sombrios e soturnos, descreve um pesadelo próprio dos que viviam aterrorizados pelo medo do inferno.Pieter Bruegel, O velho (1525-1569)Bruegel: um retrato das pequenas aldeias do século XVI, apesar de , ter vivido nas grandes cidades da região conhecida como Flandres, já sob a influência dos ideais renascentistas, ele retratou a realidade das pequenas aldeias que ainda conservavam a cultura medieval. E assim, por exemplo, com Caçadores da Neve, Banquete Nupcial e Dança Campestre. Essa mesma temática foi trabalhada pelo artista em, Jogos Infantis, em que apresenta 84 brincadeiras de crianças.Quando observamos essa obra, dois fatos nos chamam a atenção. Em primeiro lugar, a composição com grande número de figuras, técnica que o artista dominava com segurança. Em segundo, a atitude das crianças parece que elas não estão brincando por prazer, mas por obrigação, como quem executa um trabalho. Essa sensação é dada pela ausência de sorriso em seus rostos. A melancolia é o traço mais marcante.

RENASCIMENTO

INTRODUÇÃO
O termo Renascimento é comumente aplicado à civilização européia que se desenvolveu entre 1300 e 1650. Ele sugere que, a partir do século XIV, teria havido na Europa um súbito reviver dos ideais da cul­tura greco-romana. Mas na verdade foi um momento da História muito mais amplo e complexo onde ocorreram muitos progressos e incontáveis rea­lizações no campo das artes, da literatura e das ciências, que superaram a herança clássica. O ideal do humanismo foi sem dúvida o móvel desse progresso e tornou-se o próprio espírito do Renascimento. Num senti­do amplo, esse ideal pode ser entendido como a valorização do homem e da natureza, em oposição ao divino e ao sobrenatural , conceitos que haviam impregnado a cultura da Idade Media.
Nas artes, o ideal humanista e a preocupação com o rigor cientifico podem ser encontrados nas mais diferentes manifestacões. Trabalhando ora o espaço, na arquitetura, ora as linhas e cores, na pintura, ou ainda os volumes, na escultura, os artistas do Renascimento sempre expressa­ram os maiores valores da época: a racionalidade e a dignidade do ser humano.

A arquitetura renascentista

Para compreender melhor as idéias que orientaram as construções renascentistas, retomemos rapidamente a linha evolutiva da arquitetura religiosa.
No início, a basílica cristã imitava um templo grego e constituía-­se apenas de um salão retangular. Mais tarde, no período bizantino, as plantas das igrejas complicaram-se num intrincado desenho octogonal. A época românica, por sua vez, produziu templos com espaços mais organizados. Já a arquitetura gótica buscou uma verticalidade exage­rada, criando espaços imensos, cujos limites não são claramente visíveis.
No Renascimento, a preocupação dos construtores foi diferente. Era preciso criar espaços compreensíveis de todos os ângulos visuais, que fossem resultantes de uma justa proporção entre todas as partes do edifício.
A principal característica da arquitetura do Renascimento, portanto, foi a busca de uma ordem e de uma disciplina que superasse o ideal de infinitude do espaço das catedrais góticas. Na arquitetura renascentista, a ocupação do espaço pelo edifício baseia-se em relações matemáticas estabelecidas de tal forma que o observador possa compreender a lei que o organiza, de qualquer ponto em que se coloque.
Um dos arquitetos que pela primeira vez projetou edifícios que espelham esse ideal do Renascimento foi Filippo Brunelleschi (1377-1446).
Brunelleschi é um exemplo de artista completo do Renascimento, pois foi pintor, escultor e arquiteto, além de dominar conhecimentos de Matemática, Geometria e de ser grande conhecedor da poesia de Dan­te. Foi como construtor, que realizou seus mais importantes trabalhos, entre eles a cúpula da catedral de Florença — conhecida também por igreja de Santa Maria del Fiore, o Hospital dos Inocentes e a Capela Pazzi, sendo nessa onde alcançou plenamente os objetivos da arquitetura renascentista. Aí, não é o edifício que possui o homem, mas este que, aprendendo a lei simples do espaço, possui o segredo do edifício.
O Palácio Ducal de Urbino, cuja autoria do projeto é desconhecida, trata-se de outro exemplo de construção renascentista que revela o espírito científico e humanista da Renascença.

Principais características:
Ordens Arquitetônicas
Simetria
Arcos de Volta-Perfeita
Simplicidade na construção
A escultura e a pintura se desprendem da arquitetura e passam a ser autônoma
Construções; palácios, igrejas, vilas (casa de descanso fora da cidade), fortalezas (funções militares)
Exemplos na França, Paris: Igreja St. Etienne-du-Mont; Igreja St.-Eustache; Fontaine des Innocentes; Pont Neuf. Exemplos na Espanha: Hostal de San Marcos.


A pintura renascentista

A pintura do Renascimento confirma as três conquistas que os artistas do último período gótico já haviam alcançado : a perspectiva, o uso do claro-escuro e o realismo.
No final da Idade Média e no Renascimento, porém, predomina a tendência de uma interpretação cientifica do mundo. O resultado dis­so nas artes plásticas, e sobretudo na pintura, são os estudos da pers­pectiva segundo os princípios da Matemática e da Geometria. O uso da perspectiva conduziu a outro recurso, o claro-escuro, que consiste em pintar algumas áreas iluminadas e outras na sombra. Esse jogo de contrastes reforça a sugestão de volume dos corpos. A combinação da perspectiva e do claro-escuro contribuiu para o maior realismo das pinturas.
Outra característica da arte do Renascimento, em especial da pintura, foi o surgimento de artistas com um estilo pessoal, diferente dos demais.
Durante a Idade Media, como vimos, a produção artística era anônima. Isso ocorreu porque toda a arte resultou de idéias anteriormente estabelecidas — seja pelo poder real, seja pelo poder eclesiástico — as quais o artista deveria se submeter.
Com o Renascimento esse quadro se altera, já que o período se caracteriza pelo ideal de liberdade e, conseqüentemente, pelo individualismo. E, portanto, a partir dessa época que começa a existir o artista como o conceituamos atualmente: um criador individual e autônomo,que expressa em suas obras os seus sentimentos e suas idéias, sem submissão a nenhum poder que não a sua própria capacidade de criação.
Principais características:
Perspectiva: arte de figura, no desenho ou pintura, as diversas distâncias e proporções que têm entre si os objetos vistos à distância, segundo os princípios da matemática e da geometria.
Uso do claro-escuro: pintar algumas áreas iluminadas e outras na sombra, esse jogo de contrastes reforça a sugestão de volume dos corpos.
Realismo: os artistas do Renascimento não vê mais o homem como simples observador do mundo que expressa a grandeza de Deus, mas como a expressão mais grandiosa do próprio Deus. E o mundo é pensado como uma realidade a ser compreendida cientificamente, e não apenas admirada.
Inicia-se o uso da tela e da tinta a óleo.
Assim, no Renascimento são inúmeros os nomes de artistas conhecidos, tendo cada um características próprias, como veremos a seguir. Masaccio : a pintura como imitação do real

Masaccio (1401-1428)
Foi o primeiro pintor do século XV a conceber a pintura como imitação fiel do real, como a reprodução das coisas tal como elas são.
O seu realismo era tão cuidadoso que ele parece ter a intenção de convencer o observador a respeito da realidade da cena retratada, como se pode observar em seus quadros Adão e Eva Expulsos do Paraíso, São Cedro Distribui aos Pobres os Bens da Comunidade e São Pedro Cura os Enfermos. Mas além disso, o pintor parece convidar o observador a também participar do que está representado na pintura, que observamos nas obras Santíssima Trindade e Madona com o Menino.
O artista do Renascimento não vê mais o homem como uma simples observador do mundo que expressa a grandeza de Deus, mas como a expressão mais grandiosa do próprio Deus. E o mundo é pensado como uma realidade a ser compreendida cientificamente, e não apenas admirada.

Fra Angélico (1387-1455)
Fra Angélico : a busca da conciliação entre o terreno e o sobrenatural. Sua pintura, embora siga os princípios renascentistas da perspectiva e da correspondência entre luz e sombra, esta impregnada de um sentido místico. É o caso, por exemplo, de O Juizo Universal e Deposição. O ser humano representado em suas obras de não parece manifestar angústia ou inquietação diante do mundo, mas serenidade, pois se reconhece como submisso a vontade de Deus.
Em sua obra Anunciação, pintada entre 1433 e 1434, nota-se que ainda persiste a intenção religiosa. No entanto, a perspectiva e o realismo já são bastante evi­dentes. Aqui, as figuras ganham volume e as feições mais humanas, diferentemente do aspecto menos realista das personagens que aparecem nos quadros pintados anteriormente, e a anunciação do anjo a Maria ambientada numa construção cujas linhas geometrias parecem abrigar a serenidade com que Nossa Senhora ouve a mensagem divina.

Paollo Uccello (1397-1475)
Paollo Uccello : encontro das fantasias medievais e da perspectiva geométrica, procura compreender o mundo segun­do os conhecimentos científicos do seu tempo e, em suas obras, tenta recriar a realidade segundo princípios matemáticos.
Mas, por outro lado, sua imaginação corteja as fantasias medievais, o mundo lendário de um período que já estava se constituindo num passado superado. Essa característica de Uccelo pode ser observada no quadro São Jorge e o Dragão.
Além disso, outro aspecto importante de sua pintura é a representação do momento em que um movimento está sendo contido. No painel central do tríptico Batalha de São Romão, por exemplo, os cavalos parecem refrear o ímpeto de uma corrida que logo será iniciada.

Piero della Francesc a (1410-1492)
Piero della Francesca : a imobilidade e beleza geométrica, para ele a pintura não tem por função representar um acontecimento. As cenas que suas obras mostram ser­vem como suporte para a apresentação de uma composição geométrica. Na Ressurreição de Jesus, por exemplo, o grupo de figuras humanas ali representadas compõe uma pirâmide, cujo ponto mais elevado é a cabeça de Cristo e cuja base são os soldados que dormem sentados no chão próximo ao túmulo.
No díptico que retrata o Duque Frederico de Mon­tefeltro e sua esposa Battista Sforza é bastante clara a preocupação do artista em reduzir as figuras as suas formas geométricas.
Os pintores cubistas do século XX impressionaram-se muito coram essa obra. Eles compreenderam a aproximação feita entre as figuras humanas e as geométricas, pois fica patente no retrato do duque e de sua esposa que o rosto feminino assemelha-se a uma esfera, e o masculino, a um cubo.
Como pudemos ver por esses exemplos, em Piero della Francesca a pintura não se destina a transmitir emoções, como alegria, tristeza, sensualidade. Para ele, a pintura resulta da combinação de figuras e do uso de áreas de luz e sombra. Seu universo é representado de uma forma geométrica e estática. Isso pode ser observado também no Batismo de Jesus e em Nossa Senhora com o Menino e Santos.

Botticelli(1445-1510)
Botticelli : a linha que sugere ritmo e não energia ele foi considerado o artista que melhor expressou, através do desenho, um ritmo suave e gracioso para as figuras pin­tadas. Os temas de seus quadros — quer tirados da Antiguidade grega, quer tirados da tradição cristã — foram escolhidos segundo a possibilidade que lhe proporcionavam de expressar seu ideal de beleza. Para ele, a beleza estava associada ao ideal cristão da graça divina. Por isso, as figuras humanas de seus quadros são belas porque manifestam a graça divina, e, ao mesmo tempo, melancolias porque supõem que perderam esse dom de Deus.
Sua criação mais famosa, Nascimento de Vênus, retoma um tema da Antiguidade pagã, mas Botticelli transforma Vênus, a deusa do amor, no símbolo da pureza e da verdade.
Mas é na obra A Primavera que podemos compreender melhor as características de Botticelli. Essa pintura foi feita para decorar uma parede da casa de um dos membros da família Médici, de Florença. O assunto é a representação do mundo pagão. Ao centro esta a deusa Vênus; acima de sua cabeça, Cupido dispara suas setas que despertam o sentimento do amor. A esquerda de Vênus estão Flora, a Primavera — uma jovem com um ramo de flor na boca — e Zéfiro, o vento oeste, na mitologia grega. A direita de Vênus estão as três Graças e Mercúrio, o mensageiro dos deuses. Aparentemente, as figuras não tem muita relação entre si, mas o observador as percebe como um conjunto.O que as une é o ritmo suave do desenho e a sugestiva paisagem em tons escuros que favorecem a impressão de relevo das figuras claras em primeiro plano.

Leonardo da Vinci(1452-1519)
Leonardo da Vinci : a busca do conhecimento cientifico e da beleza artística. ele foi possuidor de um espírito versátil que o tornou capaz de pesquisar e realizar trabalhos em diversos campos do conhecimento humano.
Aos 17 anos esteve em Florença, como aprendiz, no estúdio de Ver­rocchio, escultor e pintor já consagrado. Em 1482 foi para Milão, onde se interessou por questões de urbanismo e fez um projeto completo para a cidade. Projetou uma rede de canais e um sistema de abastecimento de água e de esgotos. Previu ruas alinhadas, praças e jardins públicos. Por volta de 1500, dedicou-se aos estudos de perspectiva e de óptica, de proporções e anatomia. Nessa época realizou inúmeros desenhos — cerca de 4 000 — acompanhados de anotações e os mais diversos estudos sobre proporções de animais, movimentos, plantar de edifícios e engenhos mecânicos.
Na verdade, Leonardo Da Vinci pintou pouco: o afresco da Santa Ceia, no convento de Santa Maria della Grazie, em Milão, e cerca de quinze quadros, dentre os quais destacam-se Anunciação, Gioconda e Santana, a Virgem e o Menino. Ele dominou com sabedoria um jogo expressivo de luz e sombra, gerador de uma atmosfera que parte da realidade mas que estimula a imaginação do observador. Um exemplo disso é o quadro A Virgem dos Rochedos. Um conjunto de rochas escuras faz fundo para o grupo formado por Maria, São João Batista, Jesus e um anjo. Essas figuras estão dispostas de maneira a formar uma pirâmide, da qual Maria ocupa o vértice. Essa disposição geométrica das personagens mais a luz que incide no rosto da virgem, em contraste com as rochas escuras, a torna o centro da obra.
Mas a nossa atenção é desviada para o Menino Jesus, o que o torna a figura principal da composição. Leonardo conseguiu isso pelo envolvimento do corpo do menino na luz, pela atitude de adoração de São João, pela mão de Ma­ria estendida sobre a cabeça do menino e pela atitude protetora do anjo, que o apóia.
Por sua vez, a profundidade do quadro é dada pela luz que brilha muito além da escuridão da superfície das pedras.

Michelangelo (1475-1564)
Michelangelo : a genialidade a serviço da expressão da dignidade humana
Aos 13 anos, foi aprendiz de Domenico Ghirlandaio, consagrado pintor de Florença. Mais tarde passou a freqüentar a escola de escultura mantida por Lourenço Médici, também em Florença, onde entrou em contato com a filosofia de Platão e com o ideal grego de beleza — o equilíbrio das formas.
Entre 1508 e 1512, Michelangelo trabalhou na pintura do teto da Capela Sistina, no Vaticano. Para essa capela, concebeu e realizou grande numero de cenas do Antigo Testamento. Dentre tantas cenas que expressam a genialidade do artista, uma particularmente representativa é a da criação do homem. Deus, representado por um homem de corpo vigoroso e cercado por anjos, estende a mão para tocar a de Adão, representado por um homem jovem, cujo corpo forte e harmonioso concretiza magnificamente o ideal da beleza do Renascimento.

Rafael Sanzio (1483-1520)
Rafael: o equilíbrio e a simetria ele é considerado o pintor que melhor desenvolveu, na Renascença, os ideais clássicos de beleza: harmonia e regularidade de formas e de cores. Tornou-se muito conhecido como pintor das figural de Maria e Jesus e seu trabalho realizou-se de modo tão precisamente elaborado que se transformou em modelo para o ensino acadêmico de pintura.
Suas obras comunicam ao observador um sentimento de ordem e segurança, pois os elementos que compõem seus quadros são dispostos em espaços amplos, claros e de acordo com uma simetria equilibra­da. Rafael evitou o excesso de detalhes e o decorativismo, expressando sempre de forma clara e simples os temas pelos quais se interessou.
Dentre sua grande produção é importante mencionar A Libertação de São Pedro, A Transfiguração e A Escola de Atenas. Esta última é um afresco pintado no Palácio do Vaticano, que pretende ser um sumário gráfico da história da filosofia grega. No centro, estão Pla­tão e Aristóteles. À volta deles agrupam-se outros sábios e estudiosos. Mas depois que o olhar do observador passeia pelo conjunto das figuras, procurando identificar aqui e ali outros personagens, sua atenção volta-se para o amplo espaço arquitetônico representado pela pintura. São admiráveis a sugestão de profundidade e a beleza monumental das arcadas e estatuas. E neste modo de representar o espaço e de ordenar as figural com equilíbrio e simetria que residem os valores artísticos da pintura serena, mas eloqüente de Rafael.

A escultura renascentista italiana

Na escultura italiana do Renascimento, dois artistas se destacam por terem produzido obras que testemunham a crença na dignidade do homem: Michelangelo e Verrocchio.
Inicialmente, Andréa Del Verrocchio (1435-1488) trabalhou em ourivesaria. Esse fato acabou influenciando sua escultura. Observando algumas de suas obras, encontramos detalhes decorados que lembram as minúcias do trabalho de um ourives. E assim com os arreios do cavalo do Monumento Eqüestre a Colleoni, em Veneza, ou nos detalhes da túnica do seu Davi, em Florença. Mas Verrocchio foi escultor seguro na criação de volumes e considerado, na estatuaria, um precursor do jogo de luz e sombra, tão próprio da pintura de seu discípulo Leonardo da Vinci.
Quando alguém observa atentamente a escultura que Verrocchio fez para o personagem bíblico Davi, inevitavelmente a compara ao Davi de Michelangelo.
É interessante notar que as figuras humanas concebidas por Mi­chelangelo e por Verrocchio para representar o jovem que, segundo a narração bíblica, derrota o gigante Golias, são extremamente diferentes entre si. O Davi de Verrocchio é uma escultura em bronze e retrata um adolescente ágil e elegante, em sua túnica enfeitada. Já o mesmo Davi em mármore, de Michelangelo, apresenta-se como um desafio para quem o contempla. Ao observarmos esta escultura, notamos que não se trata de um adolescente e sim de um jovem adulto, com o corpo tenso e cheio de energias controladas. Não é frágil como o Davi de Ver­rocchio, nem perfeito e elegante como o Antinuos grego. A mão é colossal, mesmo na proporção da estátua. É a mão de um homem do povo, forte e acostumado ao trabalho. Mas é na cabeça que se encontram os traços mais reveladores. O Davi de Michelangelo tem uma expressão desconhecida na escultura até então. Contém uma espécie de força exterior que não aparece no humanismo idealizado dos gregos. O Davi de Michelangelo é heróico. Possui um tipo de consciência que surge com o Renascimento em sua plenitude: a capacidade de enfrentar os desafios da existencia. Não é apenas contra Golias que este Davi se rebela e batalha. E contra todas as adversidades que podem ameaçar o ser humano.
A criatividade de Michelangelo manifestou-se ainda em outros trabalhos, como a Pietá, conhecido conjunto escultórico conservado atualmente na basílica de São Pedro, em Roma, e as esculturas para a capela da família Médici, em Florença.
A Pietá realizada quando o artista tinha apenas 23 anos, mostra um surpreendente trabalho de escultura em mármore, ao registrar o drapeado das roupas, os músculos e as veias dos corpos. Mas é na figura de Maria é que ele manifesta seu gênio criador. Desobedecendo a passagem do tempo, retrata a mãe de Jesus como uma mulher jovem, cuja expressão de docilidade contrasta com o assunto da cena: o recolhimento do corpo de seu filho após a morte na cruz.
Na capela da família Médici, Michelangelo realiza trabalhos de escultura nas tumbas dedicadas a Lourenço, Duque de Urbino, e a Juliano, Duque de Nemours. No túmulo de Lourenço estão as alegorias o Crepúsculo e a Aurora; no tumulo de Juliano, o Dia e a Noite.
É interessante observar como Michelangelo concebeu essas quatro figuras que reapresentam a passagem do tempo. A Aurora, embora simbolize o despertar da vida, traz um véu na cabeça, que e sinal de luto. O Crepúsculo, apesar de ser um homem maduro, tem o rosto indefinido. Já a Noite, melancólica, em sua posição esquisita, parece não conseguir re­pousar, enquanto o rosto do Dia, aparente­mente inacabado, revela incerteza.
Evidentemente, é possível admirar muitos escultores italianos renascentistas, mas a grandeza heróica de Michelangelo detém os olhos e as emoções de quem quer conhecer a arte da escultura desse período.
Principais características:
Buscavam representar o homem tal como ele é na realidade
Proporção da figura mantendo a sua relação com a realidade
Profundidade e perspectiva
Estudo do corpo e do caráter humano

O renascimento nos Alemanha e nos Países Baixos

As concepções estéticas italianas de valorização da cultura greco-romana começaram a se internacionalizar e atingir outros paises europeus. Nesses países, foi comum o conflito entre as tendências nacionais e as novas formas artísticas vindas da Itália. Mas esse conflito acabou se resolvendo com a nacionalização das idéias italianas.
Fora da Itália, foi a pintura, entre as artes plásticas, que melhor refletiu a nacionalização do espírito humanista tão próprio da Renascença italiana. No século XV, ainda eram conservadas, na pintura alemã e na dos Paises Baixos, por exemplo, as características do estilo gó­tico. Mas alguns artistas, como Durer, Hans Holbein, Bosch e Bruegel, fizeram uma espécie de conciliação entre o gótico e a nova pintura ita­liana, que resultava de uma interpretação cientifica da realidade.

Albrecht Durer (1471-1528)
Durer: a busca dos tacos psicológicos do ser humano, ele foi o primeiro artista alemão a conceber a arte como uma representação fiel da realidade. Por isso, em várias de suas obras, procurou refletir a realidade de seu tempo e de seu país, representando camponeses, soldados e gente do povo em seus trajes característicos. Como se dedicou a estudos de geometria e perspectiva, valorizou os métodos científicos para a analise e recriação das paisagem naturais e da figura humana.
Ao contrário de outros artistas que admiravam a geometria e fize­ram das figuras geométricas suportes para o desenho da figura humana, Durer, famoso pelos vários retratos que fez dele mesmo, de seu pai e de personalidades da época, buscou também os traços psicológicos do retratado. É assim, por exemplo, com o retrato de Oswolt Krel. Nele o artista não apenas registra fielmente os traços físicos e a posição social do personagem, como revela também um pouco do caráter enérgico desse comerciante alemão.
Além de pintor, Durer foi desenhista e gravador. São famosos os desenhos que fez para ilustrar livros, não só por causa da beleza de suas linhas, mas também porque, como os desenhos de Leonardo da Vinci, contribuíram para a compreensão cientifica da natureza.

Hans Holbein (1498-1543)
Hans Holbein: a valorização do humanismo, ficou conhecido na história da pintura como retratista de personalidades políticas, financeiras e intelectuais da Inglaterra e dos Paises Baixos. Seus personagens são retratados segundo os princípios de um realismo tranquilo, diferente da inquietação que Durer imprimia a seus retratos. Soube expressar com serenidade e es­mero técnico tanto o idea1 renascentista de beleza como a precisão da forma.
Dos seus retratos, é bastante conhecido o de Erasmo de Roterdã. Holbein, amigo de Eras­mo, retratou com simplicidade e fina perspicácia os traços físicos e psicológicos deste grande humanista do século XVI, considerado, dentro de sua época, o maior defensor da internacionalização da cultura e contrario aos excessos nacionalistas, que conduzem a preconceitos e impõe estreitos limites a inteligência humana.

Hieronymus Bosch (1450-1516)
Bosch : a força da fantasia, criou um estilo inconfundível. Sua pintura é rica em símbolos da astrologia, da alquimia e da magia conhecidas no final da Idade Media. No entanto, nem todos os elementos presentes em suas telas podem ser decifrados, pois ele seleciona e combina aspectos dos mais diversos seres, criando formas que estão presentes apenas nos sonhos ou nos delírios. Desse modo, uma figura pode apresentar aspectos vegetais e animais associados arbitrariamente pelo artista.
Por que a composição desse artista e assim e o que ela reflete? Alguns críticos vêem na pintura de Bosch a representação do conflito que inquietava o espírito do homem do final da Idade Media: a tensão entre o sentimento do pecado ligado aos prazeres materiais, de um lado, e a busca das virtudes de uma vida ascética, de outro. Além disso, um forte misticismo se espalhou pela Europa entre as pessoas mais simples e fortaleceu conceitos supersticiosos e crenças em manifestações diabólicas ou divinas. Esses conflitos podem ser vistos em obras, como As Ten­tações de Santo Antonio, Carroça de Feno e Os Sete Pecados Capitais.
Das obras de Bosch a mais instigante é, inegavelmente, o triptico chamado O Jardim das Delicias. No painel da esquerda, chamado Paraíso terrestre, o artista retrata a criação de Adão e Eva, tendo como cenário uma paisagem exótica e nada parecida com a imagem do paraíso descrito na Bíblia. O painel central é o próprio Jardim das Delícias. Aí, estranhos personagens, animais, frutos, aves e peixes parecem realizar um movimento delirante. Mas, no painel da direita — O Inferno Musical —, Bosch cria um clima complexo e terrível. Misturando formas humanas, animais, vegetais e minerais em meio a tons sombrios e soturnos, descreve um pesadelo próprio dos que viviam aterrorizados pelo medo do inferno.

Pieter Bruegel, O velho (1525-1569)
Bruegel: um retrato das pequenas aldeias do século XVI, apesar de , ter vivido nas grandes cidades da região conhecida como Flandres, já sob a influência dos ideais renascentistas, ele retratou a realidade das pequenas aldeias que ainda conservavam a cultura medieval. E assim, por exemplo, com Caçadores da Neve, Banquete Nupcial e Dança Campestre. Essa mesma temática foi trabalhada pelo artista em, Jogos Infantis, em que apresenta 84 brincadeiras de crianças.
Quando observamos essa obra, dois fatos nos chamam a atenção. Em primeiro lugar, a composição com grande número de figuras, técnica que o artista dominava com segurança. Em segundo, a atitude das crianças parece que elas não estão brincando por prazer, mas por obrigação, como quem executa um trabalho. Essa sensação é dada pela ausência de sorriso em seus rostos. A melancolia é o traço mais marcante.