segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

HISTÓRIA DO MURAL E d’OSGEMEOS






A pintura mural difere de todas as outras formas de arte pictórica por estar profundamente vinculada à arquitetura. Nessa técnica, o emprego da cor e do desenho e o tratamento temático podem alterar radicalmente a percepção das proporções espaciais da construção.
Muralismo é a arte da pintura mural, que engloba o conjunto de obras pictóricas realizadas sobre parede. A técnica de uso mais generalizado é a do afresco, que consiste na aplicação de pigmentos de cores diferentes, diluídos em água, sobre argamassa ainda úmida.
História
A pintura mural tem raízes no instinto primitivo dos povos de decorar seu ambiente e de usar as superfícies das paredes para expressar idéias, emoções e crenças.
Entre os povos mesopotâmicos, egípcios e cretenses, os murais eram empregados para decorar palácios e monumentos funerários.
Também foram cultivados nas civilizações grega e romana, embora destes tenham restado poucos exemplares, entre os quais se destacam os encontrados nas ruínas de Pompéia e Herculano.
A técnica de pintura mural também foi muito empregada na Índia, com brilhantes exemplos como os das cavernas de Ajanta, e na China da dinastia Ming.
A nitidez da cor e a precisão do traçado dos perfis caracterizou a pintura mural da Idade Média e, em especial, a das construções românicas, nas quais costumavam receber afrescos as absides e os painéis laterais das igrejas, com figuras religiosas em atitude hierática.
Manifestações importantes da arte mural românica são as das igrejas de Berzé-en-Ville, na França, de Oberzell e Reichenau, na Alemanha, e de Tarrasa e Tahull, na Espanha.
No século XIII, os trabalhos de
Giotto deram extraordinário impulso à pintura mural e, a partir de então, surgiram grandes mestres dessa técnica. No Renascimento, foram criadas algumas obras-primas do muralismo, como os afrescos da capela Sistina, por Michelangelo, e a "Última ceia", de Leonardo da Vinci.
Com o interesse progressivo por tapeçarias e vitrais para uso na decoração de interiores, a pintura mural entrou em decadência no Ocidente. Excetuados os murais pintados por
Rubens, Tiepolo, Delacroix e Puvis de Chavannes, houve poucas obras importantes após o Renascimento.
No século XX, no entanto, a pintura mural ressurgiu, com todo vigor, em três fases principais: um gênero mais expressionista e abstrato que surgiu a partir de grupos
cubistas e fauvistas, em Paris, e se manifestou nos trabalhos de Picasso, Matisse, Léger, Miró e Chagall; outro que se manifestou a partir do movimento revolucionário mexicano; e um movimento mural de curta duração, na década de 1930, nos Estados Unidos.
Muralismo mexicano
A tradição milenar da pintura mural, também praticada por algumas culturas pré-colombianas, ressurgiu nas primeiras décadas do século XX no México, coincidente com um movimento revolucionário. Os artistas da época viram no muralismo o melhor caminho para plasmar suas idéias sobre uma arte nacional popular e engajada.
Como manifestação genuinamente nacional, o muralismo mexicano conseguiu produzir profundo impacto no panorama pictórico mundial.
As primeiras obras remontam a 1910, ano em que Gerardo Murillo, conhecido como Doutor Atl, e vários estudantes da Academia de São Carlos organizaram uma exposição de arte e se propuseram decorar com murais o anfiteatro da Escola Preparatória, na Cidade do México. Ao deflagrar-se a revolução, o projeto foi interrompido, mas as bases do movimento artístico já tinham sido assentadas.
Trata-se de uma arte monumental e política, elaborada por artistas combativos, e aberta a todo o povo. Seus cultores pretendiam também revalorizar a cultura pré-hispânica. Essas idéias foram expostas num manifesto redigido em 1921 pelo pintor David Alfaro Siqueiros.
Na mesma época regressava ao México Diego Rivera, que tivera contato direto com a vanguarda artística européia e se impressionara profundamente com os afrescos renascentistas italianos.
A situação política do México e seu acervo histórico pré-colombiano e colonial inspiraram a temática da maioria dos murais. Na maior parte das composições estavam representados indígenas, conquistadores espanhóis, camponeses, operários, políticos e revolucionários.
Siqueiros e Rivera, junto com José Clemente Orozco, dominaram a pintura muralista mexicana. Orozco era o mais manifestamente expressionista dos três e entre seus temas figuram a conquista e a evangelização do país.
A obra de Rivera, o mais conhecido internacionalmente, tem como temas mais freqüentes o indigenismo, a industrialização e a história do México. Siqueiros, o mais revolucionário e inconformista, imprimiu a sua obra uma exaltação da liberdade e um sentido anti-capitalista.






OS GEMEOS NO BRASIL





Nascidos em 1974, em São Paulo, os gêmeos idênticos Gustavo e Otávio começaram sua trajetória na street art em meados dos anos 1980, retratando as culturas regionais do Brasil nos muros de São Paulo. O trabalho da dupla está ligado a sua vivência na cidade, o grande melting pot cultural brasileiro. Centrada na construção de um imaginário próprio e peculiar, sua obra mescla elementos do folclore nacional com outros ligados ao desenvolvimento da arte nascida nas ruas. As telas seguem a tradição do retrato, com personagens centrais em padrões multicoloridos e envoltos numa aura surreal. As instalações oníricas incorporam carros, barcos e bonecos cinéticos gigantes à pintura de parede em grande escala. Em 1993, OSGEMEOS começaram a participar de mostras coletivas. Seis anos depois, suas criações entraram para o cenário internacional da arte urbana contemporânea, e também do circuito comercial, no Reino Unido, França, Alemanha, Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Holanda, Cuba, Japão, China, Austrália e nos Estados Unidos, onde são representados pela Deitch Projects, a mesma galeria de Keith Haring e Jean-Michel Basquiat. Em 2007, OSGEMEOS foram convidados a pintar o castelo histórico de Kelburn, em Ayrshire, um dos mais importantes da Escócia. Em 2008, a dupla pintou a famosa fachada, às margens do Tamisa, do prédio da Tate Modern de Londres, templo da arte contemporânea internacional. Em junho deste ano, eles coloriram, em Nova York, o grande muro pintado por Keith Haring em 1982, que imortalizou o cruzamento da Bowery com a Houston. O trabalho, uma homenagem ao 50º aniversário do artista, rendeu à dupla excelente crítica de Roberta Smith no NY Times: “Um mural fantástico e épico; um sonho de felicidade traçado à melancolia. Realismo mágico”.