quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

TARSILA DO AMARAL

Retrato de Tarsila




Abaporu.

tarsila do amaral abaporu



Paisagem com touro
quadro com um touro no centro cercado pela paisagem de casas e campos

Operários
foto de várias cabeças de operários com uma fábrica ao fundo

Anjos
quadro com varias crianças vestidas de anjo com as mãos juntas como se estivessem orando

Sono
o quadro sono tem uma árvore, algo parecido com um lago e uma fileira de umas coisas estranhas parecidas com uma táboa de cortar carne só que com as pontas redondas

Pescador
bonito quadro de um homem pescando em um lago

Sol Poente
quadro com o sol se pondo no horizonte

Cuca
quadro com um desenho de um famoso personagem de monteiro lobato: a cuca


A Família
quadro com uma família reunida para uma foto

Cartão Postal
um lago, umas casinhas e umas plantas

Negra
pintura de uma negra, um quadro com imagem distorcida

Lago
pintura de um lago azul


O Mamoeiro
quadro com várias casas e alguns mamoeiros com mamões

Antropofagia
outra bonita pintura com um homem e uma mulher sentados


TARSILA DO AMARAL

INFÂNCIA E APRENDIZADO

Tarsila do Amaral nasceu em 1 de setembro de 1886, no Município de Capivari, interior do Estado de São Paulo. Filha do fazendeiro José Estanislau do Amaral e de Lydia Dias de Aguiar do Amaral, passou a infância nas fazendas de seu pai. Estudou em São Paulo, no Colégio Sion e depois em Barcelona, na Espanha, onde fez seu primeiro quadro, 'Sagrado Coração de Jesus', 1904. Quando voltou, casou-se com André Teixeira Pinto, com quem teve a única filha, Dulce.

Separaram-se alguns anos depois e então iniciou seus estudos em arte. Começou com escultura, com Zadig, passando a ter aulas de desenho e pintura no ateliê de Pedro Alexandrino em 1918, onde conheceu Anita Malfatti. Em 1920, foi estudar em Paris, na Académie Julien e com Émile Renard. Ficou lá até junho de 1922 e soube da Semana de Arte Moderna (que aconteceu em fevereiro) através das cartas da amiga Anita Malfatti. Quando voltou ao Brasil, Anita a introduziu no grupo modernista e Tarsila começou a namorar o escritor Oswald de Andrade. Formaram o grupo dos cinco: Tarsila, Anita, Oswald, o também escritor Mário de Andrade e Menotti Del Picchia. Agitaram culturalmente São Paulo com reuniões, festas, conferências. Tarsila disse que entrou em contato com a arte moderna em São Paulo, pois antes ela só havia feito estudos acadêmicos. Em dezembro de 22, ela voltou a Paris e Oswald foi encontrá-la.

1923

Neste ano, Tarsila encontrava-se em Paris acompanhada do seu namorado Oswald. Conheceram o poeta franco suíço Blaise Cendrars, que apresentou toda a intelectualidade parisiense para eles. Foi então que ela estudou com o mestre cubista Fernand Léger e pintou em seu ateliê, a tela 'A Negra'. Léger ficou entusiasmado e até chamou os outros alunos para ver o quadro. A figura da Negra tinha muita ligação com sua infância, pois essas negras eram filhas de escravos que tomavam conta das crianças e, algumas vezes, serviam até de amas de leite. Com esta tela, Tarsila entrou para a estória da arte moderna brasileira. A artista estudou também com Lhote e Gleizes, outros mestres cubistas. Cendrars também apresentou a Tarsila pintores como Picasso, escultores como Brancusi, músicos como Stravinsky e Eric Satie. E ficou amiga dos brasileiros que estavam lá, como o compositor Villa Lobos, o pintor Di Cavalcanti, e os mecenas Paulo Prado e Olívia Guedes Penteado.

Tarsila oferecia almoços bem brasileiros em seu ateliê, servindo feijoada e caipirinha. E era convidada para jantares na casa de personalidades da época, como o milionário Rolf de Maré. Além de linda, vestia-se com os melhores costureiros da época, como Poiret e Patou. Em uma homenagem a Santos Dumont, usou uma capa vermelha que foi eternizada por ela no auto-retrato 'Manteau Rouge', de 1923.

PAU BRASIL

Em 1924, Blaise Cendrars veio ao Brasil e um grupo de modernistas passou com ele o Carnaval no Rio de Janeiro e a Semana Santa nas cidades históricas de Minas Gerais. No grupo estavam além de Tarsila, Oswald, Dona Olívia Guedes Penteado, Mário de Andrade, dentre outros. Tarsila disse que foi em Minas que ela viu as cores que gostava desde sua infância, mas que seus mestres diziam que eram caipiras e ela não devia usar em seus quadros. 'Encontei em Minas as cores que adorava em criança. Ensinaram-me depois que eram feias e caipiras. Mas depois vinguei-me da opressão, passando-as para as minhas telas: o azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante, ...' E essas cores tornaram-se a marca da sua obra, assim como a temática brasileira, com as paisagens rurais e urbanas do nosso país, além da nossa fauna, flora e folclore. Ela dizia que queria ser a pintora do Brasil. E esta fase da sua obra é chamada de Pau Brasil, e temos quadros maravilhosos como 'Carnaval em Madureira', 'Morro da Favela', 'EFCB', 'O Mamoeiro', 'São Paulo', 'O Pescador', dentre outros.

Em 1926, Tarsila fez sua primeira Exposição individual em Paris, com uma crítica bem favorável. Neste mesmo ano, ela casou-se com Oswald (o pai de Tarsila conseguiu anular em 1925 o primeiro casamento da filha para que ela pudesse se casar com Oswald). Washington Luís, o Presidente do Brasil na época e Júlio Prestes, o Governador de São Paulo na época, foram os padrinhos deles.

ANTROPOFAGIA

Em janeiro de 1928, Tarsila queria dar um presente de aniversário especial ao seu marido, Oswald de Andrade. Pintou o 'Abaporu'. Quando Oswald viu, ficou impressionado e disse que era o melhor quadro que Tarsila já havia feito. Chamou o amigo e escritor Raul Bopp, que também achou o quadro maravilhoso. Eles acharam que parecia uma figura indígena, antropófaga, e Tarsila lembrou-se do dicionário Tupi Guarani de seu pai. Batizou-se o quadro de Abaporu, que significa homem que come carne humana, o antropófago. E Oswald escreveu o Manifesto Antropófago e fundaram o Movimento Antropofágico. A figura do Abaporu simbolizou o Movimento que queria deglutir, engolir, a cultura européia, que era a cultura vigente na época, e transformá-la em algo bem brasileiro.

Outros quadros desta fase Antropofágica são: 'Sol Poente', 'A Lua', 'Cartão Postal', 'O Lago', 'Antropofagia', etc. Nesta fase ela usou bichos e paisagens imaginárias, além das cores fortes.

A artista contou que o Abaporu era uma imagem do seu inconsciente, e tinha a ver com as estórias de monstros que comiam gente que as negras contavam para ela em sua infância. Em 1929 Tarsila fez sua primeira Exposição Individual no Brasil, e a crítica dividiu-se, pois ainda muitas pessoas ainda não entendiam sua arte.

Ainda neste ano de 1929, teve a crise da bolsa de Nova Iorque e a crise do café no Brasil, e assim a realidade de Tarsila mudou. Seu pai perdeu muito dinheiro, teve as fazendas hipotecadas e ela teve que trabalhar. Separou-se de Oswald.

SOCIAL E NEO PAU BRASIL

Em 1931, já com um novo namorado, o médico comunista Osório Cesar, Tarsila expôs em Moscou. Ela sensibilizou-se com a causa operária e foi presa por participar de reuniões no Partido Comunista Brasileiro com o namorado. Depois deste episódio, nunca mais se envolveu com política. Em 1933 pintou a tela 'Operários'. Desta fase Social, temos também a tela 'Segunda Classe'. A temática triste da fase social não fazia parte de sua personalidade e durou pouco em sua obra. Ela acabou com o namoro com Osório, e em meados dos anos 30, Tarsila uniu-se com o escritor Luís Martins, mais de vinte anos mais novo que ela. Ela trabalhou como colunista nos Diários Associados por muitos anos, do seu amigo Assis Chateaubriand. Em 1950, ela voltou com a temática do Pau Brasil e pintou quadros como 'Fazenda', 'Paisagem ou Aldeia' e 'Batizado de Macunaíma'. Em 1949, sua única neta Beatriz morreu afogada, tentando salvar uma amiga em um lago em Petrópolis.

Tarsila participou da I Bienal de São Paulo em 1951, teve sala especial na VII Bienal de São Paulo, e participou da Bienal de Veneza em 1964. Em 1969, a mestra em história da arte e curadora Aracy Amaral realizou a Exposição, 'Tarsila 50 anos de pintura'. Sua filha faleceu antes dela, em 1966.

Tarsila faleceu em janeiro de 1973.


SITE: http://www.tarsiladoamaral.com.br/


Curiosidades

1- "Abaporu" foi o quadro brasileiro de maior valor vendido até hoje. Seu preço alcançou US$1.500.000, e foi comprado pelo banqueiro argentino Eduardo Costantini.

2- Tarsila anulou seu casamento com o primeiro marido em 1925 para casar-se com Oswald de Andrade em 1926. O então presidente eleito Washington Luís foi o padrinho de Oswald e Júlio Prestes (na época governador do Estado de São Paulo) o padrinho de Tarsila.

3- Depois de 1929, com a crise do café no Brasil, o pai de Tarsila perdeu grande parte de sua fortuna e ela trabalhou como colunista nos Diários Associados de seu amigo Assis Chateaubriand.

4- Tarsila gostava muito de anotar novas receitas detalhadamente, porém nunca chegava a fazê-las. - A tela O Pescador foi vendida ao governo russo durante sua estada por lá em 1931. O dinheiro obtido teve de ser gasto no próprio país, uma vez que não podia ser convertido em outra moeda.

5- Tarsila possuía um dos melhores acervos pessoais do Brasil com obras de Léger, Picasso, De Chirico, Delaunay, Modigliani, Gleizes, Lhote, Ingres e também dos brasileiros Almeida Junior, Anita Malfatti, Lasar Segall, entre outros.

Textos

1- Artigos de Menotti del Picchia publicados em 'A Gazeta' nas edições de 27/12/1950, 27/01/1961 e 25/02/1966 nos quais o ilustre articulista fez referências à chegada de Tarsila de Paris em 1922 e seu encontro com os modernistas:

"…foi Anita Malfatti quem me apresentou a artista numa confeitaria elegante onde tomávamos chá…-Esta é Tarsila, paulista, pintora e vem de Paris. Pintora? Tinha eu na frente uma das criaturas mais belas, mais harmoniosas e mais elegantes que me fora dado ver… É claro que todos se apaixonaram por Tarsila…".

2- Trechos de artigo escrito por Tarsila e suas recordações de Paris:

"...Paris de 1923! As recordações fervilham, amontoam-se, atropelam-se… Meu ateliê da Rua Hégésippe Moreau, que Paulo Prado descobrira ter sido habitado por Cézane, foi frequentado por importantes personagens. Aos almoços tipicamente brasileiros, às vezes compareciam Cocteau, Erik Satie, Valéry Larbaud, Jules Romains, Giradoux, Brancusi, Amboise Vollard. Entre os brasileiros, Villa-Lobos, Paulo Prado, dona Olívia Guedes Penteado, Souza Lima, Oswald de Andrade, Sérgio Milliet, Di Cavalcanti…".

3- Artigo de Álvaro Moreira em 'Para Todos', edição de 22/07/1928:

"Ela foi o presente mais bonito que Papai Noel botou nos sapatos pobres da pintura brasileira. Desde aquela manhã a pintura brasileira teve uma sorte boa e a gente se esqueceu das coisas feias que tinha visto para ver os quadros de Tarsila como as cores da infância, um cor de rosa que nem as rosas tem, um azul que não é dos céus nem dos rios nem da distância. Cor de rosa de Tarsila. Azul de Tarsila. Sem iguais no mundo".

4- Mário de Andrade, em 21/12/1927:

"Tarsila é um dos temperamentos mais fortes que os modernos revelaram pro Brasil. Afeita às correntes mais em voga da pintura universal, ela conseguiu uma solução absolutamente pessoal que chamou a atenção dos mandões da pintura moderna parisiense. Provinda de família tradicional, se sentindo muito a gosto dentro da história da nossa pintura ela foi a primeira que conseguiu realizar uma obra de realidade nacional…".

5- Do crítico de arte português Antonio Ferro, sobre a exposição de Tarsila em Paris, em 1926:

"Tarsila do Amaral inaugurou, há pouco, em Paris, a sua exposição. Era fácil de prever o acontecimento. Blaise Cendrars, que não quer outra ilustradora para os seus livros, Jean Cocteau, Valéry Larbaud, Rosemberg, Raynal e tantos outros, obrigaram a França a olhar para Tarsila. A França, por sua vez, obrigará o Brasil a consagrar esta grande pintora. Será, de resto, um gesto de gratidão…".

6- Poema 'Atelier', de Oswald de Andrade para Tarsila, publicado em 'Pau Brasil', em 1925:

Atelier
"Caipirinha vestida por Poiret
A preguiça paulista reside nos teus olhos
Que não viram Paris nem Piccadilly
Nem as exclamações dos homens
Em Sevilha
À tua passagem entre brincos

Locomotivas e bichos nacionais
Geometrizam as atmosferas nítidas
Congonhas descora sobre o pálio
Das procissões de Minas

A verdura no azul klaxon
Cortada
Sobre a poeira vermelha
Arranha-céus

Fordes
Viadutos
Um cheiro de café
No silêncio emoldurado"


Principais Obras (com data em que foram pintadas)

- Pátio com Coração de Jesus (Ilha de Wight) - 1921
- A Espanhola (Paquita) - 1922
- Chapéu Azul - 1922
- Margaridas de Mário de Andrade - 1922
- Árvore - 1922
- O Passaporte (Portait de femme) - 1922
- Retrato de Oswald de Andrade - 1922
- Retrato de Mário de Andrade - 1922
- Estudo (Nú) - 1923
- Manteau Rouge - 1923
- Rio de Janeiro - 1923
- A Negra - 1923
- Caipirinha - 1923
- Estudo (La Tasse) - 1923
- Figura em Azul (Fundo com laranjas) - 1923
- Natureza-morta com relógios - 1923
- O Modelo - 1923
- Pont Neuf - 1923
- Rio de Janeiro - 1923
- Retrato azul (Sérgio Milliet) - 1923
- Retrato de Oswald de Andrade - 1923
- Autoretrato - 1924
- São Paulo (Gazo) - 1924
- A Cuca - 1924
- São Paulo - 1924
- São Paulo (Gazo) - 1924
- A Feira I - 1924
- Morro da Favela - 1924
- Carnaval em Madureira - 1924
- Anjos - 1924
- EFCB (Estrada de Ferro Central do Brasil) - 1924
- O Pescador - 1925
- A Família - 1925
- Vendedor de Frutas - 1925
- Paisagem com Touro I - 1925
- A Gare - 1925
- O Mamoeiro - 1925
- A Feira II - 1925
- Lagoa Santa - 1925
- Palmeiras - 1925
- Romance - 1925
- Sagrado Coração de Jesus I - 1926
- Religião Brasileira I - 1927
- Manacá - 1927
- Pastoral - 1927
- A Boneca - 1928
- O Sono - 1928
- O Lago - 1928
- Calmaria I - 1928
- Distância - 1928
- O Sapo - 1928
- O Touro - 1928
- O Ovo (Urutu) - 1928
- A Lua - 1928
- Abaporu - 1928
- Cartão Postal - 1928
- Antropofagia - 1929
- Calmaria II - 1929
- Cidade (A Rua) - 1929
- Floresta - 1929
- Sol Poente - 1929
- Idílio - 1929
- Distância - 1929
- Retrato do Padre Bento - 1931
- Operários - 1933
- Segunda Classe - 1933
- Crianças (Orfanato)- 1935/1949
- Costureiras - 1936/1950
- Altar (Reza) - 1939
- O Casamento - 1940
- Procissão - 1941
- Terra - 1943
- Primavera - 1946
- Estratosfera - 1947
- Praia - 1947
- Fazenda - 1950
- Porto I - 1953
- Procissão (Painel) - 1954
- Batizado de Macunaíma - 1956
- A Metrópole - 1958
- Passagem de nível III - 1965
- Porto II - 1966
- Religião Brasileira IV - 1970




4 comentários:

EMEB ENOY CHAVES C LEONE disse...

Parabens pelo seu trabalho, seu blog está lindo!!! Estou te seguindo....dá uma passadinha ´lá no meu blog e me siga tb.
Aqbraços

Ieda Pazian disse...

Adorei seu blog, meu outro blog é de artes...

Carmen Figueiredo disse...

Claudia, adorei seu Blog e já estou seguindo, amo arte e tem tudo a ver comigo. Se tiver tempo conheça o meu http://www.umolhaarvoltadoparaomundo.blogspot.com

Parabéns!

raquel silva disse...

aiii eu num consigo achar o significado do quadro palmeiras e preciso pra escola !!!!!!!!!!!!!